Gualter Fatia

Iker Casillas relembrou os momentos antes de sofrer um ataque cardíaco em maio de 2019 no durante um treino do FC Porto, o último clube que defendeu na carreira.

Estava com a equipa quando comecei a sentir-me pesado, com falta de ar. Comecei a pensar que poderia ser uma alergia", começa por contar Casillas no documentário ‘Colgar las Alas’, do canal de TV espanhol Moviestar+, citado pelo jornal Marca.

O antigo guarda-redes espanhol destacou que chegou mesmo a pedir açúcar ao treinador de guarda-redes. "Quando fui ter com o treinador senti um aperto no peito, reparo que estou a ficar sem ar. Digo-lhe: 'Roberto dá-me açúcar ou algo porque eu acho que há algo de errado comigo.

"Deitei-me no chão, não consegui. Vejo que algo grave está a acontecer comigo. É como se estivesses numa piscina e, de repente, quisesses sair e não pudesses, era uma angústia", explica.

Casillas recorda ainda a ida para o hospital: "Estava atrás do banco do co-piloto, não me conseguia apoiar. Colocaram-me o cinto de segurança e deitei-me. Nunca pensei que isso levaria a um ataque cardíaco", afirmou. Na altura, o antigo guarda-redes foi levado de urgência para o hospital e acabou por ficar internado durante cinco dias.

No entanto, de acordo com o ex-atleta o ataque ter acontecido durante o treino foi algo positivo, pois se estivesse em casa, não saberia como reagir, uma vez que a mulher, Sara Carbonero, tinha viajado. “Se acontecesse comigo na véspera, em casa, de certeza que eu teria ficado no local. Passei noites em angústia e até um espirro era um drama. O médico disse-me que eu não ia morrer, mas houve um dia em que antes de dormir, eu disse que poderia não acordar, mas tentaria descansar”, conta.

Embora tenha dito definitivamente adeus aos relvados e esteja ciente dos riscos, Casillas diz ter saudades de jogar futebol.É a primeira pré-temporada em 22 anos que não faço com uma equipa. É estranho. Tenho um pouco de inveja. Às vezes, tenho vontade de correr para jogar à bola e percebo que o corpo não é o mesmo que era há dois meses e meio. É verdade que me sinto melhor a cada dia, mas é lento”, disse.