Dina Arsénio

Nasceu no Funchal, mas aos quatro anos saiu da ilha para ir para o continente devido ao trabalho do pai, que é guarda prisional. Rafaela Gonçalves não tem grandes memórias da sua infância na Madeira. Porém, a jovem de 26 anos conta que por vezes faz "jantares madeirenses com a família" e adora lapas e prego no bolo do caco. Não é por acaso que lhe chamam o CR7 da cozinha. No entanto, a sua especialidade é arroz de cabidela, um prato que chegou a cozinhar para os colegas de Hell’s Kitchen, da SIC, conduzido pelo chef Ljubomir Stanisic.

A descoberta da vocação

Nem sempre a cozinha esteve presente na sua vida pois Rafaela queria ser... engenheira. "O meu tio tinha uma empresa de construção civil e assim arranjava trabalho facilmente", disse a concorrente numa entrevista exclusiva ao site do Fama Show. A vida trocou-lhe as voltas e não conseguiu terminar o 12º ano no curso de Ciências e Tecnologias devido ao exame de matemática. Foi então que Rafaela decidiu tirar o curso de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, nas Caldas da Rainha, onde o pai trabalhava na altura. E adorou.

Mas afinal como surgiu o gosto pela cozinha? Os pais, Cassilda e António, "não são grandes cozinheiros", mas a sua tia Liliana e a sua avó Celeste, ambas a viver na Madeira, "sempre tiveram uma mãozinha especial para a cozinha" e essa poderá ser a razão.

Além da cozinha, Rafaela tem outra paixão: o desporto. Desde karaté, natação, futebol e Crossfit. A concorrente de Hell's Kitchen já experimentou um pouco de tudo. E se no mundo da bola o seu preferido é Cristiano Ronaldo, no mundo gastronómico é Ljubomir Stanisic. "No futebol dizem que sou o CR7 da cozinha", afirmou. No entanto, Rafaela teve que colocar o futebol de lado "porque é impossível conciliar".

Os constantes desafios e a pressão no programa

Quando se inscreveu no programa, os amigos não estranharam. "Eu sou uma pessoa de aventuras", disse Rafaela, referindo que sempre quis conhecer o chef bósnio. A primeira impressão? "Quando o vi [Ljubomir Stanisic] pensei que ele era assim mesmo mauzão como parecia na televisão. Aquela postura dele, aquela cara trancada. Fiquei ali um bocadinho nervosa", recordou.

Apesar da boa disposição que lhe é característica, nem sempre tudo foi tarefa fácil dentro do programa. Questionada pelo FamaShow sobre qual foi o castigo mais difícil para si, Rafaela responde: "Os pombos. Foi o pior para mim. Não estava a conseguir lidar com aquilo. Sinceramente, para mim, os pombos são aqueles que andam na rua no Chiado e pouco mais. Nem sequer sabia que se comia. Nunca fui de comer pombos e então estar ali a depená-los… Foi muito complicado para mim", relembrou.

Houve vários momentos de pressão, mas para a candidata as provas individuais foram as mais difíceis. "Durante o serviço, como era uma coisa que estava habituada, as coisas acabavam por fluir. Agora nas provas individuais eu nunca saber o que ia fazer acho que era onde sentia mais pressão", explicou.

A estratégia no jogo e os elogios da Mamma Rosa

Quanto à polémica imunidade de João, que fez com que não fosse eliminado do programa, Rafaela explica que foi uma questão de estratégia. "Independentemente de eu gostar muito deles e de sermos todos muito amigos acho que aquilo é um jogo e eu tenho que fazer o que é melhor para mim e para a minha equipa. A imunidade do João pareceu-me o mais acertado naquele momento", disse.

Rafaela recordou também o momento em que foi elogiada pela mãe de Ljubomir Stanisic, a Mamma Rosa, como é carinhosamente conhecida, que esteve na cozinha do restaurante mais exclusivo do país, no penúltimo episódio, para chefiar durante a preparação de um menu 100% jugoslavo. "Se o chef é rígido, a Mamma Rosa ainda mais rígida é. No final, a Mamma Rosa tinha que escolher as quatro pessoas que se portaram melhor e eu fui uma delas. Disse-me que era cabeça no ar, mas que até sabia fazer as coisas. Por isso acho que se me concentrasse mais tinha feito melhor", contou.

"Nunca podemos estar parados se queremos ser os melhores"

Sobre a sua eliminação, Rafaela confessa que não ficou triste. "O meu objetivo sempre foi ser jaleca preta. Claro que se ganhasse [o programa] não me importava, como é óbvio (risos)", afirmou. E acrescentou: "Já estava muito cansada psicológicamente, estava mesmo desgastada. Quando sai fiquei aliviada por não sentir aquela ansiedade, aquela pressão que nós sofríamos todos os dias. Saí feliz, com objetivo cumprido."

Uma lição que leva do programa do Hell's Kitchen? Procurar sempre saber mais. "O chef sempre me tentou chamar a atenção: que nós não sabemos tudo, estamos sempre a aprender e que nunca podemos estar parados se queremos ser os melhores", disse. E é isso que Rafaela está a fazer. Neste momento, a jovem está a estagiar no restaurante Euskalduna Studio, um espaço do chef Vasco Coelho Santos, no Porto, para terminar o curso de cozinha (nível 5), enquanto a família reside em Pontével, no Cartaxo.

A par dos estudos, Rafaela também irá lançar no próximo dia 22 de maio, juntamente com Daniela, também concorrente do Hell's Kitchen, um projeto onde o objetivo é "levar Portugal às mesas dos portugueses", percorrendo as várias regiões gastronómicas do país, começando na Madeira.