Dina Arsénio

Foi mais um domingo de expulsões na cozinha mais quente da televisão portuguesa. Ricardo Ruivo, um dos concorrentes mais novos, foi o escolhido para abandonar o programa Hell’s Kitchen, assim como Jennifer e Ana Cristina, entregando assim a jaleca a Ljubomir Stanisic.

Numa entrevista exclusiva ao site do Fama Show, Ricardo começa por explicar que o seu interesse pela cozinha começou em tenra idade. O jovem, natural de Valado dos Frades, conta que ver programas de culinária era "o prato do dia" lá em casa e que ao receber os colegas da escola queria sempre colocar as "mãos na massa". Tudo muito básico: ovos estrelados, pizzas e lasanhas.

Em busca de um sonho

"No 7º ano eu disse aos meus pais que queria ir para um curso profissional de cozinha. Aos 13, 14 anos já tinha mesmo a certeza de que era isso que queria fazer", disse. Foi então aos 15 anos que Ricardo conseguiu realizar o seu desejo e mudou-se para Fátima.

"Nessa altura, os meus pais fizeram um sacrifício muito grande para me conseguirem meter a estudar. Eu não sei como é que eles conseguiram esticar as coisas a tanto, mas depois compensou", relembrou o jovem de 20 anos, referindo que a Escola de Hotelaria de Fátima "esteve acima das expectativas". Ricardo chegou inclusive a estagiar e a trabalhar no restaurante 'Feitoria' e foi um dos vencedores da 7.ª edição do concurso Jovem Talento da Gastronomia 2018.

Ricardo só tem a agradecer à mãe, Lurdes, que considera ser "uma grande cozinheira". "Os meus pais são os dois agricultores, então sempre estive habituado a guisados, estufados, caldeiradas. Tudo assim à base de comidas mais pesadas. Hoje em dia gosto muito de cozinhar e transpor essas memórias que a minha mãe me incutiu sem eu perceber", contou.

O apoio dos colegas e um mundo novo

Inscrever-se no programa da SIC não estava nos planos de Ricardo até que os colegas da 'Tasca do Joel', o restaurante onde trabalha atualmente, em Peniche, repararam que o jovem estava um pouco desanimado com a monotonia do seu dia-a-dia e quiseram inscrevê-lo. "Eu disse: ‘Não vale a pena, eu inscrevo-me sozinho’", disse. E assim foi.

Já no programa, Ricardo deparou-se com muitos desafios, mas houve um castigo em especial que considera ter sido o mais difícil: o do crossfit. "Foi aquele em que sofri mais. Eu fazia muito desporto, mas quando deixei para me dedicar à cozinha, cortei por completo. Não fazia mesmo nada. Depois apresentam-me ferro para levantar e flexões e correr como um desalmado. Uma pessoa não aguenta. Estava branco como a cal. Não há palavras. Estava mesmo mal", recordou.

Lidar com a pressão também não foi fácil para Ricardo. "Eu arrisco-me a dizer, e acho que falo por todos, que há uma altura no programa que até se nos pedissem um copo de água tínhamos dúvidas de como o ir buscar. Nós metíamos tudo em causa", afirmou. "O stress que as pessoas pensam que existe, é a dobrar ou a triplicar", acrescentou.

O jovem, que recebeu a alcunha de Teddy pelos restantes concorrentes, protagonizou um momento que tem tanto de caricato, como de hilariante. Falamos naturalmente do "chichi nervoso", uma expressão usada por Ricardo numa das provas. "Quando entrou a Rafaela, achei que o ambiente estava assim um bocado tenso e eu costumo utilizar essa expressão para descrever o quão nervoso estou. Estava a tentar quebrar o gelo e fazer ali uma graça. Nunca pensei que ela me fosse perguntar o que era "chichi nervoso'", explicou.

"Não basta ser um bom cozinheiro"

Sobre a sua eliminação, Ricardo confessa que ficou triste, mas que não foi uma surpresa. "Após fazer o serviço tinha noção. O meu objetivo sempre foi ir o mais longe possível. Claro que queria ganhar, todos queremos, mas tinha a noção das minhas limitações", revelou.

No entanto, o jovem valadense não tem dúvidas de que repetiria a experiência, mas mudava a sua atitude. "Eu vejo agora que muita das coisas com que eu batalhei comigo mesmo, por me culpar, não faziam sentido nenhum. Se eu tivesse mais tranquilo desde o início, mais numa de me divertir, se calhar tinha ido um bocado mais longe", explicou.

"No programa do Hell's Kitchen não basta ser um bom cozinheiro e um bom profissional, tens que ser uma pessoa extremamente confiante das tuas capacidades, daquilo que tu fazes em todos os momentos", afirmou.