João Xará

Michael Wray foi o primeiro vencedor do Hell’s Kitchen (2005) com Gordon Ramsay. A propósito da adaptação portuguesa, num formato de larga escala pelas mãos Ljubomir Stanisic, o site do Fama Show conta a história de superação do concorrente que ganhou 250.000 dólares e recusou um trabalho na cozinha de Gordon Ramsay.

A vitória e nega a Gordon Ramsay

Apesar de ser competitivo e um estratega nato, segundo os fãs do formato internacional, Michael Wray era um líder bastante discreto que, ao longo da competição, era visto a auxiliar os seus colegas. Conseguiu vários recordes que ainda hoje se mantêm intactos, como o do concorrente que conseguiu o maior número de vitórias face a derrotas (apenas uma).

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Michael foi até à final e ganhou o prémio de 250 mil dólares (mais de 210 mil euros) e o impensável aconteceu. Gordon Ramsay convidou o chef para trabalhar no seu restaurante em Londres. Michael aceitou o convite nas filmagens, mas mudou de ideias. O primeiro sinal de muitas das suas tragédias começou aqui.

A razão da rejeição? O medo das drogas. Dois anos antes do casting, Wray foi operado à escoliose e recebeu a prescrição de vários analgésicos, tornando-se dependente. Levou esse vício para a competição do programa onde tomava doses extra. “Isto já tomava conta de metade da minha energia mental ao controlar esta dependência, quando ainda tentava trabalhar e levar uma vida normal”, revelou à BBC.

Ainda voou cinco dias para Londres, mas a experiência requeria uma mudança permanente e disse não a Gordon Ramsay. “Foi a decisão mais difícil da minha vida e arrependo-me a toda a hora. Eu estava no Hell’s Kitchen com um problema de drogas. Tinha um medo mortal de ir a Londres com esta dependência gigante”, explicou ao Mashed.

Michael Wray está construir um sonho que passa por viajar pelos Estados Unidos

Michael Wray está construir um sonho que passa por viajar pelos Estados Unidos

Reprodução Instagram

A queda e a redenção

Sem a ida a Londres, Wray abriu um restaurante de sucesso, o Tatou, em Los Angeles e preparava-se para abrir um segundo com o nome de HK1, uma clara referência ao facto de ser o primeiro vencedor do programa. Michael atravessava uma fase pessoal entusiasmante. Casou e ia ser pai ela primeira vez. A bebé acabaria por morrer no parto e a relação do casal não sobreviveu, com o chef a mudar-se para um camião. Os trabalhos na cozinha eram escassos e serviam maioritariamente para suportar financeiramente a sua dependência que aumentou a um ritmo alarmante.

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Na entrevista ao Mashed, Michael conta que se mudou para o deserto, sem nada para comer, apenas consumindo drogas durante várias semanas. Atingiu o fundo do poço. “Sou o vencedor do Hell’s Kitchen, formei-me na escola Le Cordon Bleu, e sou este gajo a morar num carro, a implorar drogas aos meus médicos”, recordou.

Depois de uma tentativa de suicídio, Wray pegou numa mochila e fez-se à estrada quando um condutor o avistou e ligou para um número de emergência. No hospital, trilhou o caminho para a recuperação. Quatro anos depois, voltou a casar e é pai de um rapaz, Ozmo. O sonho vai ser construído com uma food truck (o cozinheiro está a pedir ajuda numa angariação de fundos) e que tem o objetivo de percorrer os Estados Unidos e ajudar homens e mulheres que passaram pelo mesmo problema que teve.

O chef casou com Sharlene Wray e é pai de um rapaz

O chef casou com Sharlene Wray e é pai de um rapaz

Reprodução Instagram, DR

Hell's Kitchen Portugal está nas noites de domingo na SIC e é já a 21 de março que revela o primeiro concorrente a ser expulso.