Pedro Lima com o filho mais velho, João Francisco

Pedro Lima com o filho mais velho, João Francisco

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João Francisco Lima, o filho mais velho de Pedro Lima, o famoso ator português que em junho do ano passado decidiu por termo à própria vida, numa altura em que estava a lutar contra uma profunda depressão, esteve esta segunda-feira, 4 de janeiro, à conversa com Júlia Pinheiro.

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O jovem recordou a cumplicidade que tinha com o pai. “Nós tínhamos uma relação muito próxima que ia para além da parentalidade. Era uma amizade, uma cumplicidade muito grande e era giro. Era uma fase da minha vida que eu estava a gostar muito de viver e que vou guardar com todo o carinho. Nós frequentemente combinávamos e íamos jogar à bola para a praia com mais meia dúzia de amigos, às vezes meus, outras dele. E o desporto sempre foi o que nos ligou mais”, explicou João Francisco, antes de rematar: “Eu e os meus irmãos ficámos todos com o bichinho do desporto e da competição. (…) Eu pratiquei vários desportos ao longo da minha infância e depois, aos 15 anos, acabei por começar a jogar râguebi e foi aí que me mantive. Já joguei pelas seleções jovens todas, cheguei a ser campeão da Europa. Passei pela alta competição e foi uma coisa muito importante no meu percurso”.

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Quanto ao facto de nunca ter vivido com os pais juntos – João Francisco é fruto de uma relação de Pedro Lima com Patrícia Piloto, que terminou quando era muito pequeno, garante que isso nunca foi um problema. “Para mim, os pais separados sempre foi a minha única realidade. Nunca senti qualquer tipo de desconforto em falar sobre isso, nem nunca senti que havia uma realidade paralela melhor que a minha por os pais não serem separados. Sempre vivi isso de forma natural, nunca me afetou especialmente. Houve muito mimo, muito amor”, garantiu.

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E é com muita admiração que o jovem fala da relação que tem com a família que o ator construiu ao lado de Anna Westerlund: “Somos cinco. Tenho quatro irmãos. A Emma tem 16, a Mia tem 13, o Max dez e a Clara quatro. É uma dinâmica muito gira e eu sem dúvida que, se puder, um dia terei a mesma dinâmica com a minha família. Temos personalidades muito diferentes, mas nota-se que há muita coisa em comum. Uma delas é esse espírito competitivo. É giro ver as interações entre eles. Eu sendo um bocadinho mais velho não tenho estado tão presente em casa e quando estou noto claramente as evoluções de cada um deles”.

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Durante esta conversa franca com Júlia Pinheiro, João Francisco explicou ainda que, ao contrário do que foi divulgado, a sua ida para Roterdão, onde está a estudar Marketing Management, nunca foi posta em causa devido à tragédia que assolou a família. “Nunca esteve em questão [não ir]. Nunca hesitei nessa minha decisão. Acho que, acima de tudo, a melhor forma que temos para lidar com as coisas que nos vão acontecendo na vida é mantermos o nosso percurso e foi exatamente isso que eu fiz”.

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Aos 22 anos, João assume que precisa de ajuda psicológica e que os dias menos bons, marcados pela tristeza, ainda são muitos: “É um choque, um trauma muito forte. Relativamente à pergunta que me fizeste, se estou bem, não estou, como é óbvio e sinto-me bem em não estar. Isso é uma das coisas que eu tenho feito questão de passar às pessoas que estão à minha volta. (…) Quero ter uma voz mais ativa relativamente à saúde mental e começa por eu ser coerente com o que estou a sentir e tentar passar às outras pessoas. E a principal coisa é sermos verdadeiros connosco próprios e termos a capacidade de assumir que não estamos bem. (…) Estou triste. Tenho um sentimento de falta muito grande. Saudades, como é obvio. Vou ter sempre, mas continuo com o foco no sítio certo a fazer o meu caminho, a tentar manter alguma normalidade. A única coisa que posso retirar daqui é aprender com o que aconteceu e tentar reagir da melhor forma possível porque isto foi, sem dúvida, uma coisa que nos traumatizou a todos, mas ainda tenho uma vida pela frente e não me posso deixar limitar. Tenho momentos em que me pergunto se deveria pensar mais nisso ou estar mais triste, mas acho que tenho de estar confortável com a forma como estou a lidar com as coisas e estou a ter o acompanhamento correto. Tenho consultas com uma psicóloga, semanalmente, todos nós estamos a ter, e eu faço questão de verbalizar esta ação da terapia para a normalizar. Sinto que ainda temos muita dificuldade em perceber a saúde mental (…) Temos muita dificuldade em dizer que não estamos bem”.

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Havendo uma relação muito próxima com o pai, João Francisco Lima afirma: “Nos últimos tempos sentia [que o meu pai estava em sofrimento]. Senti e ele partilhava comigo. Ele dizia que estava triste, que se sentia preocupado, desanimado”.