Vinte quatro anos depois de ter sido diagnosticado com um tumor maligno no cólon, Marco Paulo voltou a viver o drama do cancro, desta vez na mama. Entretanto, depois de oito meses de luta, o artista abriu o coração a Júlia Pinheiro e falou sobre a forma como enfrentou os tratamentos de quimioterapia e radioterapia, que chegam ao fim esta quarta-feira, 23 de setembro.

"Eu tive duas quimioterapias diferentes uma da outra. A primeira foi mesmo para atacar o problema e aliás eu perguntei à minha médica que me acompanha, a doutora Leonor: 'Vai-me fazer cair o cabelo?' e ela respondeu-me:' Vai, prepare-se que vai''", recordou o artista, assumindo agora os seus cabelos brancos, que entretanto começaram a crescer.

Cada sessão de quimioterapia chegava a durar cerca de duas horas e meia, mas ao contrário de há 24 anos, os tratamentos não deixavam o cantor tão exausto.

"Nunca senti absolutamente nada. Nem enjoos, nem má disposição. Na primeira vez, há 20 anos, isso sim. Eu chegava do hospital e a primeira coisa que eu queria fazer era ia para a cama, não falava com ninguém, não comia. Desta vez, não", recordou.

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Durante os tratamentos, Marco Paulo acabou por criar uma relação de cumplicidade com os outros doentes, revelando que nunca se sentiu preocupado com o facto de as pessoas o verem fragilizado.

"Sinto que aquelas pessoas vão ajudar a tratar-me. Eu vejo sempre aquelas pessoas como as pessoas que me vão ajudar. São pessoas que me ajudam, a mim e aos outros", referiu.

"Eu tenho que estar ali, tenho que lidar com aquelas que pessoas que são de uma sensibilidade e de um amor tão grande [...] Eu tenho que estar ali às atenções delas", continuou.

"Convivo bem com as pessoas e é por isso que elas dizem que sou um bom doente e que vêm o Marco Paulo, mas que depois veem um meio Marco Paulo diferente, o que está a sofrer, o que está doente e, portanto, não veem um Marco Paulo a cantar, das luzes, do palco. Não estão a vê-lo, estão a vê-lo na cama de um hospital como qualquer ser humano, como qualquer pessoa. Elas estão a ver-me assim e, por isso, é que gostam tanto de mim", frisou.

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O artista confessou ainda que não tem grandes flutuações de humor e o que o deixa realmente mais triste é mesmo o facto de não poder cantar.

"Eu sei que estou em boas mãos, eu sei que os resultados dos exames que tenho feito são bons, quanto à Covid-19, todas as semanas faço o teste e têm dado todos negativo. Portanto, nesse aspeto, eu tenho que estar animado", explicou.

"Tenho muita vontade de pisar o palco, de cantar. Tenho saudades de ouvir os aplausos das pessoas, de falar com elas, de estar com elas", rematou, aproveitando para agradecer todas as mensagens de apoio que tem recebido.