Vicente Alves do Ó e Maria Viera

Vicente Alves do Ó e Maria Viera

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Há muito que Maria Vieira deixou de ser conhecida pela atriz que todos os portugueses recordam como uma pessoa cheia de energia, boa disposição e alegria. Nos últimos anos, a artista, de 63 anos, afastou-se de muitos colegas de profissão e os seus comentários nas redes sociais – nomeadamente a defender as opções políticas de Donald Trump e Jair Bolsonaro –tornaram-se polémicos.

Contudo, os que conheceram o lado mais querido de Maria Vieira lamentam que assim seja. É o caso do realizador Vicente Alves do Ó, que deixou uma reflexou emotiva na sua página de Facebook, onde também partilhou uma fotografia da atriz com um olhar triste.

“A tristeza profunda de tudo isto. A tristeza profunda no rosto dela. Os olhos. Estes olhos cheios de tristeza. De quem não acredita em mais nada. Olhos de quem grita a sua tristeza e a sua tragédia. De actriz de comédia a trágica. Que triste, tudo isto”, começou por escrever o cineasta.

“Que tristeza tão grande disfarçada de ilusão política. Como se dentro deste corpo morasse a sombra doutra pessoa. Quem foi essa pessoa? Quem é esta sombra de mulher?”, questiona ainda, antes de concluir: “É como se uma desconhecida tomasse conta do corpo duma pessoa amiga, de longa data, que conhecemos de sempre. Alguém cá de casa e que nos fez rir tantas vezes. Quem és tu? - diria o texto de Garrett. Quem és tu?”, questiona.

Ana Bola

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A publicação conta com muitos comentários, mas há um que, inevitavelmente, se destaca. Foi escrito por Ana Bola, com quem Maria Vieira fez dupla durante largos anos. Atualmente estão afastadas, precisamente devido à alegada mudança da comediante. “O que ela transmite mais, quanto a mim naquela tristeza de ontem [manifestação do CHEGA] é um ódio profundo e uma raiva sem medida. Triste estará muitas vezes, com certeza, basta ter deixado de ser quem era", considera Ana Bola.

"A Maria anda triste e revoltada há muitos anos por várias razões. Acho que transformou essa tristeza em ódio por tudo o que mexe e sobretudo por quem tem sucesso na profissão, até porque a convenceram que ela é melhor do que todos nós. E ela acreditou", continua.

"Ela há muito mas muito tempo que tinha duas personas, a que convivia connosco, que se divertia, que se soltava, e a outra... Submissa, controlada, induzida a ser má, a contar as linhas de texto que tinha em relação aos outros, questionada se lhe tinham feito planos e se tinha conseguido dizer e cumprir as indicações que trazia de casa, depois com o trabalho no ar ser confrontada com as críticas de não ter feito como a tinham mandado, etc, etc... Isto dá cabo de qualquer um", explica ainda Ana Bola.

Apesar de tudo isto, a atriz mostra-se preocupada com a antiga colega e amiga: “Ela sempre foi frágil, insegura, ‘diferente’, portanto foi atingida e não foi pouco. Eu tenho muita pena. A Maria não deixa de ser uma vítima".