Maria João Abreu e João Soares

Maria João Abreu e João Soares

Maria João Abreu morreu no passado dia 13 de maio, duas semanas depois de dar entrada de urgência no Hospital Garcia de Orta, em Almada, por se ter sentido mal nas gravações da novela A Serra, da SIC.

Agora que está a conseguir retomar alguma normalidade na sua vida, nomeadamente com o regresso aos palcos, o seu marido, João Soares, abre o coração e conta como foi vivido este tempo.

João Soares e Maria João Abreu

João Soares e Maria João Abreu

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A despedida

“Apoiámo-nos todos uns nos outros. O Ricardo [Raposo], a Rita [Raposo, a mulher de Ricardo], o [Raposo] e o Miguel [Raposo] iam lá todos os dias, a minha irmã também. E, quem não entrasse, ficava no parque de estacionamento à espera. Havia uma grande onda de energia e de esperança”, começa por contar o músico, antes de recordar o dia em que recebeu o telefonema que temia. “A médica ligou-me e disse-me: ‘João, está para breve, a João já está a respirar com muita dificuldade, venha já.’ Voei até ao hospital e pelo caminho fui avisando os filhos, o Zé, a minha irmã”, recorda nesta entrevista à revista CARAS, adiantando que tocou “uma ou duas músicas para ela sozinho” e, entretanto, chegou o filho mais novo da atriz, que “leu um poema”. “Tocámos a música e ela partiu”, acrescentou, referindo-se ao tema Black, dos Pearl Jam, um dos preferidos da estrela da SIC. “Quando vemos partir quem amamos, sentimos a maior das impotências. Demos o último acorde, a Maria João deu o último suspiro e vimos os batimentos cardíacos descer até ao zero. Estamos ali e não há nada que possamos fazer”, afirma.

À frente: Catarina Lobato, Maria João Abreu, Matias e Rita RaposoAtrás: João Soares, Noah, Ricardo e Miguel Raposo

À frente: Catarina Lobato, Maria João Abreu, Matias e Rita RaposoAtrás: João Soares, Noah, Ricardo e Miguel Raposo

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Pormenores das duas semanas de internamento

Enquanto a artista, de 57 anos, esteve internada, muito se escreveu sobre o seu estado, sendo que, numa primeira fase, terá sido o rebentamento de um aneurisma a causar o desmaio que deixou todos em alerta.

“Falei com o José Mata [que integra o elenco da novela da SIC e que foi um dos primeiros a socorrer a atriz], que me disse que a Maria João se tinha sentido mal e desmaiou. Todos pensámos que era excesso de trabalho, uma quebra de tensão”, lembra João Soares, revelando que foi “logo a correr para o hospital” naquela tarde de 30 de maio. “Foi a João que deu as indicações ao médico da triagem, esteve sempre consciente, com muito frio. Por causa da COVID, não pude estar sempre com ela. Mas, por volta das 19, 20 horas, chamaram-me e disseram-me que iria ser transferida para outro hospital. Ainda estive com ela e dei-lhe uns beijinhos”, explicou.

Mais tarde, quando já estava em casa, João Soares foi novamente contactado e foi então que lhe falar de uma suspeita de AVC: “Lembro-me de o médico me falar num acidente vascular cerebral, mas confesso que com os nervos não retive mais nada”. Já no dia seguinte, recebeu outro telefonema a informar que tinham decidido avançar para a operação.

“Nesse dia, à noite, ainda falei com a João ao telefone e depois ligou-me o médico que lhe iria fazer o cateterismo no dia seguinte. Ele pediu para lá estar logo de manhã, para ainda conseguir falar com a João. Falei com ela, ainda fiz uma videochamada para a mãe e para a irmã antes de ir para o bloco. Fez o cateterismo, correu bem, conseguiram colocar o stent e veio para o quarto. Acordou da anestesia geral e falei com ela. A João mexia os braços, as pernas, a cabeça, falava de forma articulada”, garante.

Contudo, foi ao final desse mesmo dia que a situação da atriz se agravou, porque “tinha dois aneurismas” e “um rebentou, outro não” e a equipa médica informou que “tinha tido uma hemorragia”.

Miguel Raposo, Maria João Abreu, João Soares, José Raposo e Ricardo Raposo

Miguel Raposo, Maria João Abreu, João Soares, José Raposo e Ricardo Raposo

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“A probabilidade de sobrevivência era de 50% (…) Foi como se me tivessem tirado o chão”

Esse momento, como recorda com emoção nesta entrevista, foi muito duro para João Soares, pois foi-lhe dito que “a probabilidade de sobrevivência era de 50%”. “Fiquei a pensar que ela teria metade das hipóteses de sobreviver e, mesmo que o conseguisse, nada nos garantia que ficasse sem sequelas. Provavelmente, não iria ficar bem. Foi como se me tivessem tirado o chão”, diz.

Quatro dias depois do desmaio, os médicos explicaram à família que “a hemorragia era muito extensa e que não sabiam o que iria acontecer. Teriam de esperar que o corpo absorvesse o sangue, acordá-la do coma e ver como ela reagiria”. “Entretanto, tivemos mais duas reuniões com a equipa médica. Na segunda reunião, disseram-nos que já não acreditavam que a João pudesse sobreviver. Aí já comecei a perceber que, se calhar, iria mesmo acontecer”, recorda, enaltecendo o facto dos profissionais de saúde que trataram de Maria João Abreu terem sido sempre o mais claros possível: “A equipa médica foi-nos preparando para o que iria acontecer. Mas nós não nos preparámos. A João estava nos cuidados intensivos, num quarto isolado, e deixaram-nos vê-la mais do que era suposto, para nos darem tempo para nos despedirmos. Só agora é que percebo isso. As equipas médicas e de enfermagem foram de uma grande humanidade”.

Reveja também a entrevista de João Soares e Ricardo Raposo na Casa Feliz, da SIC, esta terça-feira, 6 de julho: