Sofia Lourenço

Diogo Filipe entrou no programa Hell’s Kitchen e desde logo captou a atenção dos portugueses com a sua honestidade. Sem meias palavras, no primeiro episódio do programa da SIC, o concorrente revelou o seu passado marcado pelo consumo de cocaína.

“Tive problemas com drogas, chef”, disse ao ser confrontado por Ljubomir Stanisic que estranhou as mãos trémulas de Diogo.

“Não dá para agradar a gregos e troianos. Claro que tive comentários negativos, mas são muitos mais os positivos. Mesmo as pessoas que nunca passaram por aquilo que eu passei, se aprenderem comigo nunca vão ter hipótese de cometer o erro que cometi. Também pensei que estava tudo controlado até uma certa altura da minha vida, recordou, revelando que não se arrepende de ter exposto o seu lado mais pessoal.

“Na minha vida já aprendi que mais vale dizer a verdade, não ter truques. Sou um livro aberto, as pessoas lêem-me facilmente”, explicou.

A história de Diogo tem sido marcada por muitos altos e baixos e, nas redes sociais, multiplicam-se os elogios à sua postura. Ainda assim, o ex-concorrente do Hell’s Kitchen não se deixa deslumbrar facilmente e mantém os pés bem assentes na terra.

“Fico sempre com uma lágrima quando vêm falar comigo como se eu fosse um grande exemplo. Eu não sou um grande exemplo, mas claro que fico comovido”, disse.

Do Ritz às ruas de Londres e o pesadelo da cocaína

A paixão pela cozinha apareceu por acaso na vida de Diogo, “tirei um curso e estagiei no Ritz. Teve a ver um bocado com o que queremos na nossa vida… Vi que era um mundo diferente, havia pessoas com grandes ordenados”.

Após o fim do estágio, o cozinheiro partiu para Inglaterra com o melhor amigo, Igor, na esperança de encontrar trabalho na área. Algo que não aconteceu.

“Torno-me sempre bom naquilo que eu faço. Em Londres foi o que apareceu e nós tínhamos de trabalhar”, explicou Diogo que ficou alguns meses a varrer ruas até decidir regressar a Portugal para retomar o sonho. Mas, depois de encontrar emprego na área, Diogo voltou a ser posto à prova. O consumo de cocaína tomou conta da sua vida até ao momento em que pediu ajuda ao pai.

“A pessoa com quem fui ter foi o meu pai. Ele apoiou-me e até me deu os parabéns por ser sincero, porque diz que podia ter sido muito pior se eu não tivesse tido aquela coragem, contou sobre uma das alturas mais difíceis da sua vida.

A relação com a filha Carolina

No primeiro episódio de Hell’s Kitchen, Diogo revelou que o objectivo principal da sua participação no programa era o de deixar a filha, Carolina, orgulhosa.

O cozinheiro comoveu os portugueses ao contar que o consumo de drogas lhe fez perder o emprego, o casamento com Verónica, e que acabou por “perder a filha”.

Reservado e protetor em relação à jovem de 14 anos, Diogo revelou apenas que mantém uma boa relação com Carolina e que, após a sua participação, tiveram uma conversa de pai e filha.

“Pedi-lhe para não ver [o programa], mas sei que ela recebeu bastantes mensagens de apoio a dizer que o pai era um exemplo, até agora tem sido tudo positivo. Depois do programa eu e ela falámos… sobre certas notícias ainda falámos mais”, contou.

Quanto à relação com a ex-companheira, que vive na Holanda, o chef - que confessou estar comprometido - disse apenas: “Não falo com a Verónica, falo com a mãe da Verónica que é a pessoa que neste momento está com a minha filha. Já não me lembro da última vez que falei com ela [Verónica]”.


“Intimidado eu nunca me sinto, embora seja o chorão do programa”

Diogo aceitou o desafio do Hell’s Kitchen depois de ter tomado conhecimento do programa através do melhor amigo, Igor.

“Comecei numa brincadeira. Fizemos os dois casting e passámos, mas no final eu fui escolhido e ele não”, contou.

Diogo fica em lágrimas com as palavras de Ljubomir Stanisic - "Mostraste que és um grande homem"

Diogo já conhecia Ljubomir Stanisic e do chef bósnio tinha boas referências. “Como cozinheiro já tinha ouvido falar do chef Ljubomir. As pessoas deram-me boas referências do chef. Não há pessoas perfeitas, mas fazendo um balanço, o chef é uma boa referência”, revelou sobre Ljubomir de quem disse não se ter sentido intimidado.

“Intimidado eu nunca me sinto, embora seja o chorão do programa. Eu não entrei preparado”, revelou, explicando que o único objetivo era o de ganhar.

Da saída do programa à abertura de Hell’s Table com Lucas e António: “O melhor que eu tiro do programa são as amizades”

Este domingo, dia 9 de maio, Diogo disse adeus à cozinha mais temida de Portugal mas, garante, fê-lo de cabeça erguida.

“Foi a única vez que não chorei. Eu já podia ter saído antes. Ali, sinceramente, senti que não ia sair, não tinha sido o pior. Mas não há injustiças, é o que é, e eu aceitei, revelou.

“Eu sei que não consegui dar o meu melhor. Estou mortinho para entrar noutra temporada, porque eu limpo isto”, assume.

De Hell’s Kitchen, Diogo leva boas recordações, “o melhor que eu tiro do programa são as amizades, principalmente a do Lucas e do António”, aliás foi com estes dois chefs que abriu recentemente o Hell’s Table.

“O nosso negócio passa por uma mesa, de seis a oito pessoas, só abre às sextas e sábados”, começou por dizer sobre o projecto inaugurado na passada quarta-feira, dia 5 de maio, em Vila Verde, Braga.

No Hell’s Table o serviço é feito apenas numa mesa e “até agosto já está tudo reservado”.