Andreia Guerreiro

Daniela da Silva, concorrente do Hell's Kitchen

Daniela da Silva, concorrente do Hell's Kitchen

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Daniela da Silva, natural de Valongo, soube desde cedo que a cozinha faria parte da sua vida, nem que fosse apenas para mimar os que a rodeiam. É, aliás, na família que tem a sua estabilidade emocional e foi também com ela que aprendeu a ser feliz no meio dos tachos e panelas.

Com 28 anos, trabalha como gestora financeira num negócio familiar e há cerca de dois criou a sua própria empresa de catering. Daniela descreve-se como uma pessoa “metódica, organizada e focada” e assume a admiração pelo trabalho de Ljubomir Stanisic, apesar de reconhecer que têm feitios completamente opostos e assumir que nem sempre foi fácil lidar com a pressão imposta no programa.

A paixão pela cozinha e o fogão a lenha do avô

“O gosto pela cozinha começou logo desde pequenina. As minhas primeiras recordações numa cozinha estão relacionadas com a minha mãe e o meu avô materno, porque nós sempre fizemos grandes almoços familiares ao fim de semana. A primeira memória que eu tenho mesmo é de aprender com o meu avô a acender o fogão a lenha e a preparar o cabrito para o almoço”, começa por explicar Daniela da Silva.

“Entretanto o gosto foi ficando e eu fui aprendendo sozinha, com algumas dicas da minha mãe, da minha tia e do meu avô. Até que chegou ao ponto em que eu disse à minha mãe: ‘Tu nunca mais cozinhas’. A partir daí era eu que fazia todos os dias o jantar. Comecei pelos salgados, mas, por volta dos 12, 13 anos, ganhei gosto por fazer bolos e sobremesas porque era muito gulosa”, revela ainda jovem empresária entre risos.

A doença e o amor da família

Contudo, foi aos 24 anos, quando a vida lhe pregou um grande susto, que acabou por se aproximar ainda mais desta sua paixão. Depois de se sentir doente durante mais de um ano e de ter perdido peso de forma repentina, foi-lhe diagnosticado um adenocarcinoma [tumor] no sistema digestivo e os tratamentos a que teve de se submeter obrigaram-na a, de certa forma, isolar-se um pouco.

“Quando fiquei doente tive cerca de dois anos e meio que passava muito tempo em casa e então, entre os tratamentos e os períodos de descanso que eu tinha que ter, aproveitava para cozinhar. Isto apesar de não poder comer quase nada do que estava a confecionar, devido a restrições alimentares ligadas à doença. Eu gostava de o fazer porque me libertava a mente, não me lembrava do momento mau que estava a passar e depois ficava contente porque era a minha maneira de retribuir toda a atenção que a minha família estava a dar-me”, revela Daniela da Silva, antes de rematar: “Fazer o jantar, um bolo especial ou uma sobremesa era o meu escape e era uma forma de mimar quem estava à minha volta. Foi uma altura difícil para todos, mas com a ajuda deles consegui ultrapassar”.

Foi também durante esse período que a concorrente do Hell’s Kitchen dedicou muito tempo a ver programas de culinária e a tentar aperfeiçoar a sua técnica, sobretudo ao nível da pastelaria.

A mãe como motivação para entrar no programa

“Eu não tinha conhecimento que ia haver o programa. Foi a minha família que me foi dizendo que estava a passar a promoção na SIC e que eu devia inscrever-me”, adianta Daniela, confessando que até achava piada ao facto da mãe se mostrar tão entusiasmada com a ideia.

“Eu já tinha assistido ao Hell’s Kitchen americano e na altura até comentei que se fosse um chef como o Gordon Ramsay que eu não ia aguentar a pressão, porque eu sou uma pessoa muito emotiva e se há coisa que eu detesto são berros. Portanto, eu sabia que ia acabar por ceder. Mas a minha mãe dizia: ‘Vai, nem que seja pela experiência. Se calhar até nem consegues entrar, mas tenta’. E eu decidi inscrever-me e quando fui aos castings estava sempre com o pé atrás a dizer: ‘É tanta gente a concorrer e eu, que não tenho formação nem tanta experiência como eles, de certeza que não vou entrar. Mas depois, quando fui selecionada, fiquei contente e pensei: ‘Vou lá e vou dar o meu melhor. Quanto mais longe fosse melhor, mas também se saísse no início também ficaria satisfeita por lá ter chegado’”, recorda a empresária de Valongo, confessando-se orgulhosa pelo seu percurso no programa da SIC.

“Acho que consegui mostrar as minhas capacidades ao nível daquilo que eu mais gosto que é a pastelaria. Se calhar, nas outras áreas da cozinha não tive oportunidade, nem tempo, porque acabei por sair num momento em que estava a adaptar-me melhor a toda a dinâmica da cozinha. Como eu nunca tinha estado numa cozinha profissional, o primeiro impacto foi muito forte, foi necessária uma adaptação da minha parte e também conseguir lidar com as minhas colegas. Acabei por sair numa altura em que já me estava a sentir mais confiante. Sinto que dei o meu melhor, estou de consciência tranquila”, garante.

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A saída forçada por motivos de saúde

Este domingo, 25 de abril, Daniela da Silva acabou por abandonar ‘a cozinha mais quente de Portugal’ porque a sua saúde lhe pregou novamente uma partida e a obrigou a escolher entre o bem-estar e a competição.

“Nas últimas semanas antes da minha saída, eu já andava com alguns problemas relacionados com tensão arterial. Sentia-me constantemente tonta, fraca e com algumas dores no fundo da barriga. No dia da minha saída estávamos a cumprir um castigo que o chef nos tinha dado, depois de um dia longo de gravações, durante o qual o meu corpo deu vários sinais de que algo não estava bem”, recorda, antes de revelar pormenores: “Culminou comigo a cozinhar e, de repente, comecei a ver tudo preto, a sentir-me muito tonta, a ter que me agarrar à bancada e sair da cozinha e ir em direção aos Bombeiros que estavam lá sempre para nos dar apoio. Comecei a ter dores muito fortes e fui levada para o hospital. Os médicos concluíram que todos os sintomas se deviam a um quisto que eu tinha nos ovários, que rebentou. Segundo os especialistas terá sido o stress a despoletar tudo, apesar do problema certamente já ser antigo. Estar sob pressão pode ter acelerado esta situação. Foi-me recomendado descanso e eu tive que optar por desistir do programa porque a minha saúde está em primeiro lugar”.

Daniela da Silva e Ljubomir Stanisic

Daniela da Silva e Ljubomir Stanisic

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Ljubomir Stanisic, o choque de personalidades e a relação com os colegas

Quando questionada sobre a sua opinião acerca do líder desta competição, Daniela da Silva desfaz-se em elogios, mas não esconde que ambos tinham personalidades bem diferentes, daí os vários momentos de choque que os telespetadores tiveram a oportunidade de ver.

“Antes do programa, enquanto pessoa e chef de cozinha tive sempre uma ótima opinião de Ljubomir Stanisic e depois daquele ato de solidariedade para com os colegas [os protestos em frente à Assembleia da República para defender a restauração, um dos sectores mais afetados pela pandemia], subiu ainda mais na minha consideração. Mas eu, pessoalmente, sabia que era uma pessoa com a qual eu teria dificuldades em lidar por causa da minha personalidade. Porque eu sou uma pessoa mais recatada, mais sossegada, gosto de estar no meu canto, muito concentrada naquilo que estou a fazer e ele é uma pessoa muito explosiva, que tem o hábito de falar alto. Tem uma maneira bastante diferente da minha de lidar com as coisas. Mas é daquelas pessoas de quem aprendemos a gostar. No início tivemos um choque de personalidades, mas com o tempo eu aprendi a gostar mesmo dele. Admiro-o imenso e sei que tudo o que ele fez comigo numa fase inicial do programa foi para me espicaçar. Foi a forma que ele encontrou para fazer sobressair as minhas capacidades. Acabei por sair de lá com uma excelente opinião dele”, afirma.

A jovem pasteleira conta ainda que também esta maneira de ser do chef natural da antiga Jugoslávia fez com que os concorrentes se unissem mais. “Fiz mesmo amizade com vários concorrentes do programa. Apesar de ser uma competição, nós fomos obrigados a conviver todos, passávamos 24 horas por dia juntos e nos bons e nos maus momentos os nossos apoios acabavam por ser os nossos colegas, especialmente os da nossa equipa. Fiz bons amigos”, congratula-se.

O desempenho de Cândida e João não convenceu Ljubomir Stanisic e os dois estiveram em risco de expulsão
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Francisca, Rafaela, Rute e Diogo
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As duas equipas do Hell's Kitchen
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Cândida e João estiveram em risco de sair, mas ficaram porque Daniela foi forçada a abandonar a competição por motivos profissionais
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Francisca, Rafaela, Rute e Diogo
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Ljubomir Stanisic e Daniela da SIC
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Hélder, Lucas, Cândida e João atentos às paalvras de Ljubomir Stanisic
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Colegas aplaudem Daniela
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Emocionada, Daniela entrega a jaleca a Ljubomir Stanisic
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Emocionada, Daniela entrega a jaleca a Ljubomir Stanisic

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As mudanças que o programa trouxe à sua vida e o futuro

“Eu já era bastante metódica na maneira como trabalhava, mas o facto de ter estado numa cozinha profissional ainda me trouxe mais método e organização na cozinha. A minha vida também mudou completamente a nível de exposição. Como eu tenho uma empresa de catering, o facto de ter estado no programa deu mais visibilidade ao meu trabalho e esse foi o maior benefício que o Hell’s Kitchen me trouxe. De repente, a nível de clientes, tudo aumentou e às vezes sinto que já não tenho mãos a medir”, diz Daniela Silva, satisfeita com o crescimento do seu negócio, impulsionado pela participação no programa da SIC.

Para o futuro, e agora que a nível de saúde tudo está mais estável, a jovem de Valongo espera poder apostar no crescimento da sua empresa, num atelier de pastelaria – a sua grande paixão – e num bar de sobremesas.