Marlene Ferreira

Foi este domingo, 18 de abril, que os telespectadores viram Jennifer Silva dizer adeus à cozinha do Hell's Kitchen. Após mais um caótico serviço onde não houve vencedores, a cozinheira natural de Cabo Verde juntou-se a Ana Cristina, Ricardo e João entre os nomeados da noite. Dos quatro candidatos em risco de expulsão, Ljubomir Stanisic entendeu que apenas João seguiria em frente na competição.

Entretanto, em entrevista exclusiva ao site do Fama Show, Jennifer recordou a sua passagem pelo programa da SIC, lembrou o momento em que chegou a Portugal e se deparou com um cancro de mama e falou ainda das saudades que sente dos filhos, que não vê há um ano e meio.

A paixão pela culinária e a primeira vez que entrou na cozinha do Hell's Kitchen

O gosto pela cozinha começou ainda em tenra idade. Foi com a madrasta que aprendeu a cozinhar e a fazer os seus primeiros pratos, porém foi buscar inspiração a uma tia, que era chef de cozinha. "Eu gostava de ver como é que ela decorava os pratos, gostava de estar sempre presente quando ela fazia os seus cozinhados", confessa. Entretanto, em 2013, Jennifer inscreveu-se na Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde, onde tirou o curso de cozinha e pastelaria. Desde então, Jennifer não baixou os braços e criou em Cabo Verde o seu próprio negócio relacionado com a organização de eventos.

Há cerca de dois anos e meio chegou a Portugal e numa busca por aprendizagem decidiu inscrever-se no Hell's Kitchen.

"Sempre tive vontade de participar num concurso de culinária. Quando começaram as inscrições, inscrevi-me logo. Era uma oportunidade de aprender mais, de mostrar o que eu sei fazer", refere, recordando, em seguida, a primeira vez que entrou na cozinha do restaurante mais exclusivo do país.

"Foi uma grande surpresa. Não era nada do que eu estava à espera. Era uma cozinha completamente diferente [...] Fiquei logo espantada. A primeira impressão foi logo: 'O que é eu estou a fazer aqui?'", recorda, revelando que foi com entusiasmo que começou a sua aventura no programa da SIC.

Jennifer no momento da expulsão, ao lado de Ana Cristina, Ricardo e João

Jennifer no momento da expulsão, ao lado de Ana Cristina, Ricardo e João

A relação com o chef Ljubomir Stanisic e a tensão que se vivia na cozinha a cada novo serviço

No que diz respeito a Ljubomir Stanisic, Jennifer destaca sobretudo o seu espírito de resiliência . "Uma pessoa que lutou muito para chegar onde está hoje, é um grande exemplo", refere.

A cozinheira assumiu também que depois de se ter inscrito no programa procurou saber mais sobre o chef e ainda hoje lembra o dia em que este lhe disse:' 'Temos que batalhar muito para chegar onde queremos' ".

"Tudo o que ele me disse, eu tenho como uma aprendizagem, como mais uma bagagem [...] Já como cozinheira, eu aprendi que não basta só cozinhar. Temos que provar tudo o que nós fazemos. Era uma coisa que eu quase não fazia ", conta.

Por outro lado, Jennifer recorda ainda a tensão que se vivia a cada novo serviço e das técnicas que utilizava para tentar manter a calma. "Só me descontrolei no último serviço, na última semana. Mas, durante os serviços, eu tentava sempre manter a calma porque, na maioria das vezes, todas estavam descontroladas e quando é assim eu tento sempre manter a calma. Fico a pensar, a lembrar-me de uma música ou de uma coisa que me faça manter a calma. Dificilmente me descontrolava durante o serviço", confessa, lembrando ainda o momento que mais a marcou durante o programa da SIC, quando o chef elogiou um prato seu.

"O que mais me marcou foi o primeiro dia em que eu fui para o fogão. Eu estava com um pouco de receio e, no final do serviço, a Francisca veio ter comigo e disse-me que o chef tinha dito que o melhor ovo, desde o primeiro dia, tinha sido o meu, ovo do bife...Eu fiquei contente", conta.

O diagnóstico de cancro e a distância dos filhos: "O meu mundo desabou"

Foi há cerca de dois anos e meio que Jennifer chegou a Portugal, inicialmente para umas férias com os dois filhos, mas o destino acabou por lhe trocar as voltas. A cozinheira foi diagnosticada com cancro da mama.

"O meu mundo desabou no dia em que recebi o diagnóstico, mas no mesmo dia eu reergui-me, pensando nos meus filhos. Naquele momento, eles precisavam de mim mais do que tudo. Pensando nos meus filhos, eu segui mais forte. Naquele momento eles só tinham a mãe presente e se mostrasse fraqueza perante os meus filhos, seria mesmo complicado", confidencia.

Jennifer recorda que na altura estava sozinha em Portugal e que devido a uma série de burocracias, os filhos tiveram que regressar a Cabo Verde. "Não tinha ninguém para me apoiar, recebia mensagens dos meus familiares que estavam em Cabo Verde. Praticamente não conhecia ninguém, não tinha amizades aqui", conta.

"Eu consegui o visto de residência, mas os meus filhos não [...] Para o imigrante é tudo complicado. Vais pedir apoio ao imigrante na Segurança Social, tens que ficar na fila porque já há pessoas à tua frente. Foi a última opção mesmo, levá-los para Cabo Verde", revela, assegurando que se fosse hoje as coisas poderiam ter sido diferentes.

Jennifer durante o seu último serviço na cozinha do 'Hell's Kitchen'

Jennifer durante o seu último serviço na cozinha do 'Hell's Kitchen'

SIC

Entretanto, Jennifer já não está com os filhos há um ano e meio e há cerca de seis meses, deixou de conseguir estabelecer o contacto com eles. "O que me deixa mais triste é não conseguir falar com eles. Antes, eles moravam com a minha mãe, falava com eles todos os dias, eram videochamadas a toda a hora. Mas depois eles foram morar com o pai e, desde então, não tenho contacto com os meus filhos", revela.

"Entrei em contacto com a procuradoria de menores em Cabo Verde e contei a minha situação em relação aos meus filhos. Eles ficaram de me ajudar e, há menos de uma semana, entraram em contacto comigo e enviaram-me o número de telefone que o pai forneceu para eu falar com os meus filhos, mas eu ligo e ele não atende", explica ainda.

"A minha mãe não sabe onde eles moram. Ela descobriu onde o meu filho estuda, onde é a escola. Já consegui falar com a professora. Ela disse que não tinha conhecimento da situação e vai entrar em contacto com a direção da escola para ver o que é que podem fazer. Se me podem ajudar a ter contacto com os meus filhos", acrescenta, frisando que tem feito de tudo para voltar a entrar em contacto com os filhos.

Desta forma, o desejo de voltar a Cabo Verde é cada vez maior. Porém a sua atual situação financeira e os tratamentos contra o cancro, que terminam daqui a cerca de dois anos, fazem Jennifer permanecer em Portugal.

"Tenciono voltar. Porém, de momento estou desempregada. O que eu ganho do fundo de desemprego é para arcar com as minhas despesas aqui. Se for comprar um bilhete de avião, não vou conseguir arcar com as despesas. Eu não tenho nenhum apoio. Estou em tratamentos, pago as consultas e os exames e é um pouco complicado", explica.

Neste momento, Jennifer vive com a família do atual namorado, no Cacém, e é na mãe do companheiro que vê um dos seus maiores apoios. "Uma grande força nestes tempos difíceis", desabafa, revelando que atualmente o namorado está a residir no Luxemburgo.

Jennifer

Jennifer

SIC

Os projetos para o futuro e os laços que criou no Hell's Kitchen

Olhando em retrospetiva o seu percurso no programa da SIC, Jennifer assume que a sua forma de olhar para a cozinha mudou e revela que criou laços nesta sua aventura televisiva, em especial com a ex-colega de equipa, Ana Sofia.

"Fui passar a Páscoa com ela. Está sempre a querer ajudar-me, a desejar-me força e a dizer para contar com ela no que for preciso. Tornamo-nos grandes amigas", confidencia.

Confiante num futuro próspero e expectante pelo reencontro com os filhos, Jennifer acredita que a sua passagem pelo Hell's Kitchen lhe possa abrir portas e assim criar o seu próprio negócio em Portugal.

"Eu acho que podem aparecer oportunidades para trabalhar, o que eu mais preciso agora é de um emprego. Basta começar a trabalhar e já consigo organizar as coisas melhor", salienta.

"Tenho o sonho de abrir o meu próprio negócio em Portugal porque eu já tinha o meu negócio em Cabo Verde. Eu organizava festas de casamento, batizados e aniversários e tenho esse sonho de continuar a fazer isso aqui", completou.