Andreia Guerreiro

António Pedro Magalhães entrega a jaleca a Ljubomir Stanisic

António Pedro Magalhães entrega a jaleca a Ljubomir Stanisic

SIC

O último ano foi para António Pedro Magalhães de muitas emoções. Regressou a Portugal depois de sete anos na Noruega, onde trabalhou num restaurante com três estrelas Michelin, na cozinha da Ópera Nacional e depois assumiu, juntamente com um colega, o restaurante CRU, no centro de Oslo, que conquistou um lugar no Guia Michelin nos três anos em que esteve aberto.

“Vim da Noruega para triunfar na cozinha mais quente de Portugal”, disse, confiante, no vídeo de apresentação do programa Hell’s Kitchen, da SIC, e o que o famashow.pt quis saber foi o que o motivou a abraçar este desafio. Não sem antes voltar ao início da caminhada e às primeiras memórias à volta dos tachos, na cozinha da avó, em Ermesinde.

Os primeiros passos na cozinha, pela mão da avó

“Foi uma coisa natural… Quando eu era miúdo, aquela história cliché de estar com a minha avó na cozinha, vê-la a fazer aqueles pratos tradicionais. Lembro-me, desde sempre, de passar mais tempo na cozinha do que na sala com os restantes familiares sempre que nos reuníamos. Com o tempo esse gosto evoluiu para algo mais intenso”, começa por explicar, referindo que optou depois por um curso profissional que lhe permitiu concluir o 12.º ano. Já nessa altura sentia que “aquilo” era o seu futuro. Com a ajuda de uma professora começou a trabalhar como voluntário num hotel e foi aí que percebeu que prefere criar menus para grupos mais pequenos, ao invés de serviços massificados.

O frente a frente com Ljubomir Stanisic

Sem conhecer o formato original do programa Hell’s Kitchen, apresentado pelo implacável Gordon Ramsay, confessa que a sua aventura na cozinha liderada por Ljubomir Stanisic aconteceu um pouco por acaso, por conselho de um amigo, depois de ter sido burlado. “Estive em Portugal no verão a fazer um pop up [restaurante momentâneo, que fixa endereço em determinado local por um período específico], no Porto, e ia para a Islândia do final de setembro/início de outubro até ao final de dezembro, para um restaurante com uma estrela Michelin”, contextualiza, antes de falar de um episódio menos feliz: “Acabei por ser enganado… Fui burlado com as viagens, cheguei ao aeroporto e não havia nada. Eu já tinha tudo pago e acabei por perder essa oportunidade. Na altura, um colega disse-me que tinha visto na televisão que as inscrições para o programa estavam abertas e eu, como não tinha nada a perder, decidi inscrever-me. Depois, desde os castings e até começar a gravar, foi tudo muito rápido”.

Durante as provas passou por vários momentos de alta pressão. Descontente por perceber que o concorrente usou arroz tufado pré-feito no seu risoto de sementes de girassol, Ljubomir Stanisic obrigou-o a provar e a assumir que “faltava vida”. No famoso desafio do ovo estrelado também não convenceu e no último programa foi ainda chamado à atenção depois de se ter magoado a abrir ostras e não ter procurado de imediato assistência médica.

A expulsão

António Pedro Magalhães acabou por sair no quinto programa, ainda numa fase muito inicial da experiência, e confessa que este não era o desfecho que esperava: “Eu sabia para o que ia. Claro que ia para ganhar e acabei por sair mais cedo, portanto acabei por ficar um bocadinho frustrado. Mas é o que é, é o programa e não há muito mais a dizer. É preciso aceitar, mas, sem querer ser arrogante ou prepotente, eu sabia que era um dos concorrentes com mais conhecimento. Não é falta de humildade, mas eu sei com quem estava a competir e não estava à espera de sair assim tão cedo. Gostei de tudo menos da minha expulsão. Obviamente ninguém gosta de perder”.

António Pedro Magalhães revela ainda que não tinha uma opinião formada sobre Ljubomir Stanisic, pelo que não sabia o que esperar. “Eu nunca tinha conhecido o chef antes, só o conhecia da televisão, de alguns livros, tinha lido sobre um dos restaurantes dele, o 100 Maneiras… As minhas referências eram sempre por aquilo que os outros pensavam ou escreviam, eu não o conhecia. Agora que tive essa oportunidade, acho que é um bom chef, um bom cozinheiro, senão não tinha chegado onde chegou. É uma pessoa determinada, focada e bastante trabalhadora. É tudo o que é necessário para chegar onde ele chegou e tudo o que qualquer um que queira atingir aquele nível tem de ser”, explica.

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O novo projeto: o restaurante Hell’s Table

Apesar da desilusão de abandonar cedo a competição, o jovem chef de cozinha congratula-se por ter conhecido pessoas com quem se identificou de imediato e com as quais, inclusivamente, já se lançou num novo projeto, o restaurante Hell’s Table. “Foi das melhores coisas que o programa me trouxe, podermos avançar com este projeto. O programa, para mim, serviu para isso. Foi o que me deu de melhor”, rematou, referindo-se à sociedade que agora tem com Lucas Fernandes e Diogo Filipe, em Vila Verde, Braga.

Mas, afinal, o que podem os clientes esperar dos três chefs que brilharam – dois deles ainda continuará a vê-los - na cozinha do Hell’s Kitchen? “O que as pessoas podem esperar é que vai ser um espaço com apenas uma mesa, entre seis a oito lugares. Oito só mesmo em casos extremos, porque o nosso foco vão ser sempre as seis pessoas. Vai ser sempre um menu exclusivo com produtos de época, vamos tentar trabalhar com produtos nacionais e estamos a fazer a nossa própria produção de vegetais… Vai ser sempre uma coisa muito exclusiva. Só estamos à espera que as restrições impostas pela pandemia levantem e, assim que for possível para nós, estamos prontos a arrancar”, remata António Pedro Magalhães.