Sofia Lourenço

Ana Cristina Lourenço ou ‘Dona Ana’, como é conhecida pelo público, foi uma das concorrentes eliminadas este domingo, dia 18 de abril, do programa Hell’s Kitchen.

A cozinheira disse adeus à cozinha de Ljubomir Stanisic, mas será certamente lembrada como uma das figuras mais carismáticas do formato.

A boa disposição pautou a sua prestação no programa e, ao site do Fama Show, contou na primeira pessoa a experiência, a começar pelo momento em que o filho, Nicolau, a inscreveu no programa.


“Quando vi que estava inscrita pensei ‘eu já não sou nova’, mas se não participasse agora não participava nunca”, começou por explicar, revelando que não imaginou ser uma das selecionadas. “Achei que não me iam chamar. Quando me chamaram... nem tem explicação, com tanta gente, eram 4 mil candidatos”, recordou com emoção.

O MOMENTO EM QUE ENTROU NA COZINHA DO HELL'S KITCHEN: “ESTOU LIXADA, VOU SAIR À PRIMEIRA”

Selecionada como uma das 16 concorrentes, Ana Cristina sabia que não havia forma de voltar atrás. Aos 54 anos, a cozinheira sentiu-se intimidada pelos seus adversários, que considerava terem mais experiência, mas não baixou os braços.

“Pensei que fosse logo das primeiras a sair. Comecei a ver chefs, subchefs, estrelas michelin, e pensei: ‘estou lixada, vou sair à primeira’”, algo que não aconteceu e que lhe aumentou a confiança. “Foi bom, senti que não era tão inferior como julgava”.

Subestimada por todos, a resiliência de Dona Ana, aliada à sua simpatia, fizeram com que a cozinheira conquistasse não só o coração dos portugueses mas também o do chef mais temido de Portugal. “Eu tive a sorte dele me tratar sempre bem, ele teve muito cuidado comigo”, disse sobre Ljubomir, a quem agradece alguns ensinamentos.

“Percebi que tenho de ser mais calma para poder compreender melhor as coisas. Tenho o hábito de fazer tudo à pressa. Temos que fazer as coisas com mais calma para aprender mais. Esta foi uma das coisas que o chef me ensinou. Também aprendi que conseguimos fazer tudo desde que tenhamos vontade”, explicou.

AS CRÍTICAS, O APOIO INCONDICIONAL DO MARIDO E A DESPEDIDA AGRIDOCE

Foi logo no primeiro episódio de Hell’s Kitchen que Ana foi confrontada com uma realidade bastante diferente daquela a que estava habituada. Equipamentos e receitas com as quais nunca tinha lidado e, nas redes sociais, acabaram por surgir algumas críticas à sua prestação.

“Há coisas que não fazem parte do meu dia-a-dia, coisas que nunca vi na minha vida. Eu sei que houve pessoas que criticaram mas não interessa, temos que ver as coisas pelo lado positivo”, disse com a boa disposição que a caracteriza e que, garante, é uma constante na sua vida. “Aquilo que eu sou no programa sou na minha vida, igualzinho. Quando passamos por momentos muito difíceis temos que pensar sempre positivo, ajuda a ultrapassar as dificuldades”.

“Eu nem sequer sabia o que era fine dining”, recordou sobre o desafio onde cozinhou orelha de porco e surpreendeu Ljubomir. “Pedi ajuda à Francisca e ela disse-me que era tudo cortadinho e tal. Consegui com a ajuda da Francisca”.

Recorde as palavras de Ljubomir: “Teve dos empratamentos mais bonitos desde que cá estou. Desculpe dizer-lhe isto mas não tem estaleca da cozinha moderna, fine dining, e conseguiu apresentar um prato mais bem composto que qualquer um destes gajos que está aqui”

Durante as gravações, os concorrentes mantêm-se afastados da família. Dona Ana acabou por criar uma forte ligação com os seus adversários, “falamos regularmente”, mas confessa que foi o marido o seu principal apoio: “Ligava-me todos os dias e parecendo que não, sabendo que eles estavam bem, eu ficava bem”.

Este domingo, Ana Cristina acabou por ser eliminada. Ao site confessou que estava cansada e que a sua saída teve um sabor agridoce.

“Fiquei contente porque já estava muito cansada, nesse dia estava muito doente, estava exausta. Deitava sangue do nariz do stress, estava muito nervosa. Estava muito cansada porque tenho problemas nos ossos”, começou por dizer. “Chorei por sair mas fiquei contente por vir”, revelou ainda, recordando as últimas palavras do chef. “Ele foi espectacular, deu-me apoio, abraçou-me. Disse que podia falar com ele caso precisasse de alguma coisa”.

DE VOLTA AO REFEITÓRIO NA MEALHADA COM OS OLHOS POSTOS NO FUTURO

Depois de Hell’s Kitchen, Ana Cristina voltou para o refeitório onde já trabalhava, na Mealhada, mas agora com uma legião de fãs.

“Os meus familiares e amigos ficaram super contentes, as redes sociais não param, tem sido demais. Agora até virei 'a fofinha'. As pessoas reagiram bem ao ver-me na televisão”, contou entre risos, revelando ainda que é constantemente abordada para tirar fotografias e dar autógrafos.

Com um curso em pastelaria, e após cinco anos a trabalhar em cake design, em sua casa, Ana tem esperança de, no futuro, lançar o seu próprio negócio e voltar a encontrar-se com Ljubomir Stanisic.

“Se conseguir fazer o meu atelier de cake design convido-o para lá ir. Vamos lá ver se consigo. Temos que ter esperança. Aí sim, quando for a inauguração vou chamar o chef”, rematou.