Marlene Ferreira

Foi este domingo, 11 de abril, que os telespectadores viram Rafael Graça Ribeiro abandonar o programa Hell's Kitchen. Numa prova de fogo onde não houve vencedores, o jovem de Loures juntou-se a Hélder, Ana Cristina e Cândida entre os nomeados da noite. Entre os quatro candidatos, Ljubomir Stanisic acabou por decidir que seria Rafael a entregar a sua jaleca. "Para mim és um guerreiro. És um homem que tem de sair daqui orgulhoso", proferiu o chef no momento da eliminação. Entretanto, em entrevista ao site do Fama Show, o jovem cozinheiro, de 20 anos, recordou a experiência no programa da SIC e falou sobre os sonhos para o futuro.

A primeira vez que entrou na cozinha do Hell's Kitchen

Desde cedo Rafael percebeu que o seu futuro estaria ligado à cozinha. Tirou um curso profissional em pastelaria e restauração, estagiou num dos restaurantes de José Avillez, um dos mais conceituados chefs portugueses, e venceu ainda o concurso nacional Jovem Talento da Gastronomia. Desde aí, o jovem nunca mais baixou os braços e trabalhou em vários restaurantes de Lisboa e na Comporta.

Destemido e numa busca incessante por aprendizagem, foi o espírito competitivo que encorajou a sua participação no programa da SIC. "A ideia surgiu de eu querer ter o máximo de experiências possíveis com a menor idade possível. Acho que todas as experiências, por mais negativas ou positivas que sejam são experiências, são meios de aprendizagem", começa por referir.

"Adoro participar em tudo o que seja competitivo e foi a partir daí que realmente tive o interesse de participar, de aprender mais uma vez o que tinha a aprender e ver se ganhava, claro", acrescenta.

Rafael

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Assim que entrou pela primeira vez na cozinha do Hell's Kitchen o sentimento foi de felicidade. "Fiquei super feliz. Antes de tudo porque era o primeiro programa e acho que o primeiro programa nunca se esquece. Por outro lado, toda a aprendizagem e o sonho que eu tinha de estar em algum programa de televisão", confidencia, recordando, em seguida, o momento em que apresentou o seu primeiro prato ao chef Ljubomir.

"Eu fiquei super satisfeito com o meu prato, com a avaliação não fiquei muito. Esperava mais. Em pouco tempo consegui fazer tudo o que pretendia e, por isso, fiquei super satisfeito por ter conseguido concluir a prova e por, realmente, ter um prato com a qualidade necessária para ajudar a minha equipa [...] Claro que há aquele nervosismo de querermos saber o que é que o chef achou. Fiquei satisfeito com o que ele disse, mas podia ter sido muito melhor", conta, sem esquecer de mencionar a aprendizagem proporcionada pelo chef. "Eu acho que aprendemos com todos os chefs e aprendemos formas diferentes de trabalhar, porções diferentes. Isso é a melhor aprendizagem que eu levo", salienta.

Rafael ao lado de Ana Cristina, Cândida e Hélder no momento da eliminação

Rafael ao lado de Ana Cristina, Cândida e Hélder no momento da eliminação

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"O momento que mais me marcou foi, sem qualquer dúvida, a minha saída"

Entre vários desafios e provas de fogo, o momento que mais marcou Rafael foi, "sem qualquer dúvida" , a sua saída, por saber que poderia ter feito mais e melhor. "Senti uma revolta grande comigo mesmo porque gosto de ser o mais profissional possível e detesto quando erro", começa por dizer. "Senti-me bastante triste por estar a abandonar uma experiência que pode ter sido a minha única experiência em televisão, que me proporcionou ter conhecido pessoal maravilhoso, pessoas espetaculares. É realmente quando cai tudo, quando cai a ficha, é quando tu percebes que já saíste e que era a tua hora", conta.

Rafael recorda ainda o stress que se vivia na cozinha a cada novo serviço. "Viver o serviço é uma experiência totalmente diferente. Os telespectadores não têm noção do que é que nós passamos ali em termos de pressão porque, realmente, nós sabemos que isto vai passar para milhões de pessoas e queremos ser nós mesmos, mostrar o nosso melhor. Eu falo por mim, detesto quando as coisas me correm mal. Tenho o meu valor, faço o máximo por aquilo e, por isso, às vezes custa. Mas, a pressão, sem dúvida, é complicada de gerir", confessa.

Olhando agora retrospetiva o seu percurso na cozinha do Hell's Kitchen, o jovem destaca sobretudo a aprendizagem que leva consigo. "Eu vejo o Hell's Kitchen como mais uma experiência que teve os seus pontos positivos, os seus pontos negativos e, claro, que trouxe conhecimentos, outra maneira de trabalhar, uma outra maneira de conhecer pessoas porque realmente tivemos que viver com elas", refere.

"Vejo como uma forma de enriquecimento, de autoteste. Nós ali estamos a testar-nos a todos os níveis. Seja a pressão por parte do chef, seja a pressão por se tratar de um programa ou por causa dos colegas de trabalho/ colegas de casa. Estamos a testar-nos em todos os aspetos", acrescenta.

Foi com emoção que Rafael se despediu da sua equipa

Foi com emoção que Rafael se despediu da sua equipa

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Os sonhos para o futuro

Atualmente, Rafael divide o seu tempo como chef de partida no restaurante Monsanto Open Air, em Lisboa, e como formador do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional). Por outro lado, o jovem não descura o seu sonho: abrir o seu próprio restaurante tipicamente português e totalmente sustentável.

"Esta ideia surge por haver coisas que me custam muito, como o desperdício alimentar, saber que existem muitas famílias a passar fome, a passar dificuldades e, realmente, queria dar primazia e valorizar os nossos produtos, que são espetaculares, e a nossa gastronomia. Se nós formos a ver em Lisboa há poucos restaurantes que servem comida típica, comida boa, comida de sabor e conforto. Surge a partir daí", refere, revelando que pretende reinventar a cozinha portuguesa, buscando parte da sua inspiração aos pratos cozinhados pelos pais em casa.

"Eu gostaria de apresentar um prato típico português de uma maneira totalmente diferente, com os sabores clássicos [...] Qualquer pessoa iria ter realmente o palato nacional, um palato português, mas com texturas e consistências totalmente diferentes", salienta.

Amante da Natureza, Rafael procura também através da cozinha dar o seu contributo para um mundo mais sustentável. "Vejo desperdícios enormes, vejo o planeta a ficar cada vez mais poluído, eu adoro a Natureza. Adoro viver a Natureza, estar numa mata e ter, de certa forma, aquela componente de sobrevivência [...] Não gosto de produções intensivas, gosto de tudo o mais natural possível e, por isso, gostaria bastante que os meus filhos tivessem a experiência de vida que eu tenho, que é valorizar a Natureza, tentar realmente que o planeta viva muitos mais anos. Acho que temos que apostar seriamente na sustentabilidade. Pensar não só no agora, mas nas nossas famílias e nas outras pessoas um dia mais tarde", explica.

Com 20 anos, Rafael já tem um currículo de que se possa orgulhar e que o faz olhar para o futuro com confiança e a vontade de aprender mais.

"Eu não vejo um cozinheiro pela idade. Eu fui chefe de cozinha e tinha que mandar em pessoas mais velhas do que eu. Vai da consciência de cada um. Eu faço o máximo que posso. Comecei a trabalhar aos 16 anos. Sempre tive dois, três trabalhos. Estudava, trabalhava porque realmente quero ser o melhor no que faço. Por isso, graças a Deus consigo ter um currículo bom, um currículo estável e que ainda pode ser melhorado, visto que tenho 20 anos. Fico super satisfeito porque sei que é por mérito próprio. Eu trabalho bastante para conseguir alcançar o que pretendo e agora é continuar", rematou.

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