No dia em que termina os tratamentos de radioterapia contra o cancro da mama, Marco Paulo abriu o coração a Júlia Pinheiro numa entrevista de vida, onde recordou alguns dos períodos mais conturbados da sua vida. Além da recente luta contra o cancro da mama, mais de duas décadas depois de ter sido diagnosticado com um tumor maligno no cólon, o artista falou sobre o momento em que teve um início de AVC (Acidente Vascular Cerebral) em palco, há cerca de três anos, durante um concerto no Coliseu do Porto.

"Eu senti o chão a fugir-me [...] Eu não sabia o que era. Sabia que estava perder a visão. Deixei de ver as pessoas à minha frente. O concerto estava a terminar com o tema Sempre Que Brilha o Sol e lembro-me de não ver as pessoas à minha frente", começou por contar.

"Possivelmente, essa veia devia estar ligada à visão. Devia estar, não sei [...] De um momento para o outro tive medo", recordou.

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Foi também em 2017, que Marco Paulo teve um problema grave num dos rins. Os médicos detetaram uma massa estranha e o artista teve que remover parte do rim direito. Este foi um momento difícil para o cantor, que chegou, inclusive, a pensar na morte.

"Tive muito medo", contou, acrescentando um dos muitos pensamentos que guardou para si na altura: "À terceira não me safo".

“Tenho muito medo da morte e fiquei com mais medo depois da minha mãe ter morrido. Eu nunca esperei na minha vida ver a minha mãe dentro de um caixão. Foi a partir daí que eu deixei praticamente de ir a funerais, prosseguiu.

“Eu não consigo entrar num cemitério e faço os possíveis para não entrar. Tudo isso me mete confusão, eu saber que estou agora aqui a falar consigo e daqui a um tempo, sei lá, onde posso estar. E isso assusta-me. A morte assusta-me”, rematou.