Dina Arsénio

A maioria dos portugueses conhece o seu rosto da televisão e as polémicas em que esteve envolvido, mas será que conhece a verdadeira história? Diogo Carmona escreveu o livro 'Contra Todas as Probabilidades. Vítima ou Vilão? Culpado ou Inocente?', lançado pela Manuscrito no dia 7 de abril, onde diz repor toda a verdade.

O ator de 24 anos abriu algumas das páginas da sua vida ao Fama Show e falou-nos sobre temas abordados na sua autobiografia, cujo título foi escolhido depois de ler um livro de Fernando Pessoa - "Odes de Ricardo Reis" -, lembrando-se assim da palavra "Odds" (probabilidade, em português), algo que lhe faz sentido devido ao trágico acidente que o obrigou a amputar um pé.

De estrela juvenil à ausência de trabalho na representação

Tinha apenas cinco anos quando se estreou em palco e entretanto participou naquele que viria a ser um dos maiores sucessos da ficção nacional da SIC, a novela 'Floribella' (protagonizada por Luciana Abreu), onde o ator interpretou o pequeno Tomás. Anos depois, em 2015, a vida deu uma volta de 360 graus e Diogo viu-se sem trabalho e sem perspectivas de novas propostas.

"Precisava de alguém que estivesse lá para mim e que dissesse ‘Olha Diogo vais ter trabalho. Vou fazer isto por ti' e eu não tinha ninguém. Senti-me muito sozinho nesse aspeto e estava mesmo obcecado com trabalho", disse.

"Sentia-me uma promessa como ator, mas sentia que ninguém queria saber de mim, então acabava por ser um sentimento muito angustiante 24 horas por dia", afirmou.

Diogo Carmona com a mãe, Patrícia Carmona

Diogo Carmona com a mãe, Patrícia Carmona

Instagram

As más escolhas para tentar amenizar os problemas

Foram anos de episódios que levaram o jovem para lugares muito sombrios. Desde álcool a drogas leves. Diogo refugiava-se nessas substâncias para fugir à realidade. Entretanto vieram também os ataques psicóticos, os internamentos psiquiátricos e a depressão, temas estes retratados no seu livro.

Além da falta de trabalho, a vida pessoal de Diogo não estava bem. Em 2018, o ator acusou a mãe, Patrícia Carmona, de lhe roubar milhares de euros, dinheiro esse que o jovem terá ganho com os seus trabalhos de representação. Diogo chegou mesmo a dormir em casa de amigos durante meses. "Estava com problemas com a minha mãe e acabei por me refugiar nos meus amigos e estava a viver de uma forma um bocado nómada", explicou.

E acrescentou: "Queria viver de forma livre, queria era estar com os meus amigos 24 horas por dia. Talvez ter uma vida que não posso ter. Não tinha os pés assentes na terra", disse.

O trágico acidente na linha de comboio

O skate também era um refúgio para o jovem e foi nesse mesmo contexto que aconteceu o acidente que fez com que Diogo perdesse o pé esquerdo. No dia 26 de outubro de 2019, data em que foi colhido por um comboio, perto da estação de São João do Estoril, o ator tinha estado a praticar o desporto.

Após a amputação do membro inferior, Diogo voltou a andar de skate quando ainda não tinha a prótese, mas não foi fácil. "Senti uma grande frustração. Não ter parte de uma perna num desporto que é basicamente com as pernas é difícil", recordou.

"Senti uma necessidade de me afastar um bocado do skate por causa disso. Obviamente que é doloroso. Acho que foi das coisas que mais me custou… saber que não vou poder voltar a fazer as manobras", confessou.

Novas portas, condenação e recomeços

Após o trágico acidente, Diogo Carmona regressou aos ecrãs da SIC para integrar o elenco da quarta temporada de Golpe de Sorte, um projecto pelo qual "esperava ansiosamente". Nessa mesma altura, em 2020, o ator foi condenado a quatro meses de pena suspensa por ter, alegadamente, agredido a mãe e a avó.

"Mil euros não é nada para mim, eu recebo isso em dois dias de trabalho na SIC, eu pago-te os mil euros”. Esta foi uma frase dita por Diogo em tribunal depois de ter sido obrigado a pagar uma indemnização de 1000 euros à avó materna. Eis a explicação do jovem: "Acho que disse isso de uma maneira impulsiva. Eu estava ali entre a espada e a parede e quem estava presente sabe que para mim foi um momento mesmo muito complicado. Disseram que eu podia quase ser preso. Não sei como não tive um ataque cardíaco naquele dia e não estou a brincar", relembrou.

"Acho que disse aquelas palavras como um alívio. Não sei, eu precisei mesmo de dizer alguma coisa", acrescentou. Recentemente, o ator revelou que se reconciliou com a mãe e sobre esse assunto disse apenas que "estamos bem" e que "está tudo bem neste momento".

Será este um novo começo? O que é que o Diogo de hoje diria ao Diogo do passado? "Acho que dizia ‘faz o que tens a fazer. Segue em frente. Ainda vais ter muito que aprender’", rematou.