Lourenço

Conceição Queiroz, jornalista e pivot, fez esta sexta-feira, 8 de janeiro, uma publicação nas suas redes sociais a expôr os vários comentários racistas com que lida diariamente.

"Não é ficção. Ataques racistas diários", começou por avançar. "Dizem de tudo. Que me prostituí para chegar onde estou, (mulher africana é burra. Tem de dormir com alguém para subir na vida), que não entendem como me dão trabalho que é só para brancos, ordenam que me vá embora, ligam para o meu local de trabalho a pedir que seja afastada, (atendi uma dessas chamadas), dizem sua preta tiras o lugar aos portugueses, devias ser violada, tens essa boa disposição irritante, andas na coca...", continuou.

"Todos os dias lido frontalmente com uma história imunda. (...) Enfrento-os. A minha preocupação são os outros (igualmente destratados) sem a estrutura que me acompanha. É por isso que não deixo de lutar. Em plena pandemia desejarem-nos a morte. É patológico, mas também maquiavélico. Peço aos agressores que continuem a atacar-me, mas abandonem quem (ainda) não se defende e fica com cicatrizes para o resto da vida", declarou.

"Há quem esteja a comprimidos e em depressão por causa desta clara forma de terrorismo", confessou.

"(...) Um negro não pode atingir um certo patamar. Podes estar abaixo, muito perto, mas se fazes o mesmo (tão bem ou melhor) és um alvo. Perdão. Há negros bem sucedidos e tolerados, os sem agenda e de espírito servil. Entretanto as notícias são boas: nós negros apostamos ainda mais na formação. Já se riram ao descobrir que estou a tirar o doutoramento. Aos ditos digo que vou seguir para o Pós-doutoramento", revelou ainda.

Por fim, rematou: "Não se esqueçam do vosso valor. Não se esqueçam também que não desisto de nós!"