JOAO MARIA C.

Júlia Palha é o novo rosto da ficção da SIC e este sábado, 10 de outubro, a atriz abriu o coração no programa Alta Definição. Numa conversa intimista com Daniel Oliveira e entre vários assuntos, a jovem falou sobre o culto da imagem e dos estereótipos com que é confrontada em relação ao seu corpo.

"Às vezes dás por ti a pôr-te em questão [...] as pessoas fazem-te acreditar que tu não és suficiente, que és só mais uma cara bonita, que não tens talento e que não vais conseguir nada", começou por contar.

"Eu sempre tive a minha mãe a puxar-me os pés para a terra nesse lado, a dizer: ‘Não. Tu não és só mais uma cara bonita. Tu tens talento’[…] Ao contrário do que as pessoas pensam, nós não deixamos de ser miúdas, eu não deixo de ter 21 anos, eu não deixo de ter que ver a minha imagem todos os dias, a toda a hora, em todo o lado. É difícil. Isso traz sequelas, às vezes, traz coisas que tu tens que aprender a trabalhar ", frisou.

"Ser atriz e levar constantemente com: ‘És só mais uma cara bonita’ é muto mais difícil do que as pessoas pensas porque faz com que tu te ponhas muito mais em questão. É como tu sintas que tens que provar o triplo. É pensares e aceitares que a certa altura há clichês ou imagens que as pessoas criam de ti e que não vais ter muito por onde desconstruir", sublinhou, acrescentado: "As pessoas têm que criar um estereótipo e um rótulo para se regerem porque é mais fácil para elas acreditar que a outra pessoa está a ter sucesso porque é bonita, não porque se esforçou, porque tem talento e porque trabalhou para isso".

Reprodução Instagram, DR

Júlia Palha reconhece ainda que usa a sua influência no meio digital para ajudar outras jovens a gostarem de si próprias, a sentirem-se bem com a sua imagem.

"A indústria precisa que não gostemos de nós próprios. Para vender mais maquilhagem, mais compridos para emagrecer, para vender mil e uma formas para nós nos tornarmos mais ‘bonitas’. Tem que haver cada dez mais vozes e eu à minha maneira, na pequena escala, quero ser uma delas e contrariar esta indústria", destacou.

"Claro que tu podes fazer coisas para te sentires mais bonita, claro que eu tenho um bocado de rímel hoje e isso vai ajudar a minha confiança e não há mal nenhum nisso[...] Não há mal nenhum em tu quereres tornar-te melhor. O mal só entra quando tu queres mudar-te e a facilidade de hoje em dia, a frequência com que nós vemos as pessoas mudadas, a facilidade com que tu convences miúdas novas logo muito cedo que podem mudar isto e aquilo, está errada", acrescentou, a atriz que é também cara da nova campanha para a linha Vera da marca de lingerie Intimissimi.

"Se nós não sabemos aceitar uma coisa tão simples como o que nos foi dado, que é o nosso corpo, como é que vamos aceitar todas as outras ‘porradas’ da vida que ainda estão para vir? Vem aí muita coisa difícil de aceitar, vem aí muita coisa que nos vai fazer sofrer. A nossa imagem é zero ao lado disso", rematou.