Ângelo Rodrigues - Toda a História estreou este domingo, dia 13, na SIC. Num documentário que cobriu toda a recuperação, as suas confissões, o reencontro com os colegas e vontade de fazer o Telefilme: Golpe de Sorte - Um Conto de Natal, o ator revelou na primeira pessoa toda a verdade sobre a fase mais traumática da sua vida. Ângelo Rodrigues correu risco de vida depois de uma infeção que o deixou dois meses no Hospital Garcia de Orta. O ator foi submetido a oito cirurgias.

Ângelo Rodrigues conta que tudo começou quando estava a viver no Rio de Janeiro, Brasil, e se apercebeu que a sua carreira não estava no ponto que queria. A insatisfação levou a que sentisse apatia, falta de concentração, sentimentos depressivos numa realidade que definiu como "angústia existencial".

"Senti que precisava de ajuda até que houve um dia em que emocionalmente desabei. Podia ter procurado a psicanálise, a psiquiatria e encontrei a endocrinologia. E foi aí que me falaram da reposição hormonal", explica. Havia a possibilidade de ter um desequilíbrio hormonal e procurou uma clínica.

Ângelo Rodrigues no Brasil

Ângelo Rodrigues no Brasil

Reprodução Instagram, DR

“O princípio do fim”

Com propostas em Portugal, Ângelo Rodrigues viu-se obrigado a parar o tratamento. "Essa decisão acabou por ser o motor para tudo o que aconteceu. Tenho perfeita noção do que eu fiz e da magnitude do meu erro", admite. Pediu ao endocrinologista se podia continuar o tratamento em Portugal e foi essa decisão que acabou por ser, nas palavras do ator, “o princípio do fim”. O ator aplicou, sem qualquer indicação para tal, os tratamentos em casa.

“Não o devia ter feito. Não sendo profissional e sendo um amador foi de uma ignorância atroz. Não o deveria ter feito", confessou. O mau manuseamento do material foi o que acabou por ditar o seu estado de saúde crítico e falência geral dos órgãos vitais. Sentiu um inchaço enorme, as dores não passavam, mas os sintomas iniciais, explica, eram “confusos”, associando-os à gripe.

O ator falou sobre a sua forma física musculada

O ator falou sobre a sua forma física musculada

Reprodução Instagram, DR

“Eu tinha era que gostar de mim próprio”

Continua-me a magoar a conotação apenas à obsessão física. Vamos elevar um pouco o patamar intelectual da questão. Eu sou vítima de um monstro que eu próprio criei, mas vamos falar de saúde mental?", pediu o ator de 33 anos. O ator quis falar da masculinização excessiva dada ao homem e em comparação à parte emocional que quase não é falada. “Já tivemos casos na sociedade e de pares em que depois (enquanto sociedade) ficamos surpreendidos quando a coisa dá para o torto, quando a pessoa já cá não está”, adiantando que estamos todos no mesmo barco.

O documentário mostra toda as etapas da recuperação do ator, uma viagem muito especial à Jordânia e a vitória sobre os seus fantasmas

O documentário mostra toda as etapas da recuperação do ator, uma viagem muito especial à Jordânia e a vitória sobre os seus fantasmas

Reprodução Instagram, DR

Ângelo Rodrigues olha para a sua adolescência como um período de carência e baixa autoestima e não tem dúvidas que tentou “compensar” isso mesmo na fase adulta. “O facto de eu ter ficado com uma imagem visivelmente musculada, a forma como me posicionava em entrevistas ou pela namorada que pudesse ter, pelos bens materiais… foi uma ferramenta de compensação para aquilo que era uma grande lacuna. Eu tinha era que gostar de mim próprio”, contando que não devia precisar de um estímulo externo. Eu entendo que a minha imagem tenha essa conotação", revela.

O ator confessa ainda que aprendeu a não se deixar afetar por coisas que estão fora do seu alcance ou que não consegue controlar.