RUI VALIDO

Há cerca de três meses, Nuno Rogeiro viveu o pior pesadelo para um pai: ver um filho a lutar pela vida depois de um atropelamento brutal. Tudo aconteceu numa passagem para peões da Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, onde António, de 25 anos, sofreu um violento embate de um veículo em excesso de velocidade.

O comentador esta sexta-feira, 8 de maio, n’ O Programa da Cristina e recordou essa noite trágica. “Felizmente esta quase recuperado. Ontem estava, pela primeira vez, sem muletas. Ainda tem um longo período de recuperação, vai ter de andar de muletas durante algum tempo”, começou por dizer Nuno Rogeiro, antes de explicar como tudo aconteceu.

“Foi uma noite que vai ficar para a historia , fez-me mudar um bocado a perspetiva de tudo (…) teres uma pessoa que é tudo para ti e de repente desaparece ou corre o risco de desaparecer”, acrescentando que a mulher, Daniela, e a filha, Cristina, passaram pelo local do acidente quando regressavam a casa, ao final do dia, sem nunca pensar que era o seu familiar a vítima: “Estávamos à espera do António para jantar. A Daniela e a minha filha viram uma grande confusão (…) Viram uma pessoa ao longe no chão, inanimada. Voltaram para casa e disseram que era uma coisa horrível, porque a pessoa não se mexia e pensaram ‘coitado, está morto’”.

António no hospital

António no hospital

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Já depois de estarem em casa, o telefone tocou e foi Daniela quem atendeu. “Ouvi a voz trémula dela, mas sempre firme e realmente era a notícia que nós não gostávamos de ter tido”, afirma Nuno Rogeiro, antes de explicar que o jovem foi depois levado para o Hospital de Santa Maria, onde recebeu os primeiros tratamentos: “A primeira pessoa a vê-lo foi a Daniela, ainda ele estava a ser cosido. Ficou com a cabeça feita num bolo. Não vou contar quantos fragmentos de vidro tinha, porque foi a três metros e caiu outra vez sobre o carro, partiu a parte do para-brisas e perdeu um litro de sangue”.

Além disso, o jovem tinha as duas pernas fraturadas e teve de ser transferido para outra unidade hospital para ser submetido à cirurgia e “não ficar deficiente toda a vida”.

Foi um período difícil para toda a família porque existia a possibilidade do jovem não voltar a andar. Contudo, a sua força de vontade foi essencial para uma recuperação bem-sucedida.

António no hospital

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Durante esta conversa com Cristina Ferreira, Nuno Rogeiro disse ainda que tinha tido a oportunidade de falar com o condutor que atropelou António, que lhe revelou também ter perdido um filho num acidente: “Não sei com que sentido isso me foi dito, mas isso só faz com que se tenha mais consciência. Só sei que ele interrompeu a vida normal de um miúdo que tinha como consciência servir o país (…) Gostava de ter sido eu atropelado em vez do António. Tive pena de não ter sido eu. Não me parecia justo na altura que um miúdo de 25 anos, que está a começar a vida, acabasse de repente assim”.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA NO VÍDEO ABAIXO: