Tiago Caramujo

Bárbara Guimarães foi a mais recente convidada de Daniel Oliveira no programa da SIC, Alta Definição. Numa conversa avassaladora onde abriu o coração ao público, a apresentadora falou sobre aquele que foi um dos momentos mais conturbados da sua vida - o caso em tribunal contra o ex-marido, Manuel Carrilho, condenado por violência doméstica.

"Sinto que estamos ainda nos antípodas de sermos defendidos judicialmente de casos de violencia doméstica, de casos pessoais. Eu estou com muita fé que haja uma lei que ponha juízes a tratar só destes casos. Especializados. Porque é um sofrimento a duplicar todo o processo que depois se desenrola nos tribunais", começou por revelar.

De seguida sublinhou ainda como sofreu com a forma como a imprensa nacional tratou este caso: "A imprensa é um desgaste brutal. É duro, duro, duro. Deixei de comprar revistas, jornais, ver determinadas notícias na televisão. Quis-me proteger desta situação".

Por fim, contou uma situação que a marcou particularmente, enquanto ia de férias com os filhos e amigos para o Algarve. "Fui por gasolina e perguntaram se podiam comprar umas batatas fritas… Quando estou a tirar o manípulo da gasolina é que me lembrei ‘Eu estou em todas as capas de revista e pelas piores razões do mundo’. Voltei a pousar o manípulo da gasolina, vou a correr e digo: ‘Meninos, nada disso. Tudo pro carro. Isto é uma confusão esta bomba. Eu trago as batatas. E eles reclamavam que queriam umas específicas ao que eu respondi 'Eu trago de todas mas vai tudo pro carro’".

A apresentadora da SIC confessou também que o cancro por que teve de passar não foi mais do que o corpo a 'expelir' algo por que estava a passar há anos.

"Foi um processo em termos de justiça de 6 anos, fui ouvida mais uma dezena de vezes. Quando recebi esta notícia de 'Estás doente', eu rapidamente na minha cabeça pensei: 'Claro, eu andei aqui a pôr para dentro os meus sentimentos, as minhas dores, sofri pelos outros, por mim própria, sendo eu própria o último de todos'. E como foi tão interior, acho que o corpo gritou e disse ‘tens que expelir isso’ e foi essa a maneira - com um cancro da mama".