André Silva tem 22 anos joga futebol desde os seis. Começou no Salgueiros, passou pelo Boavista e em 2011 chegou ao Porto, com apenas 16 anos. Aos 20 começou a jogar na equipa principal dos dragões e rapidamente chamou a atenção. Foi daí que seguiu para o AC Milan, em junho do ano passado, com contrato assinado por cinco anos.

"Pelo que os meus pais me dizem, eu era egoísta, e eles queriam pôr-me num desporto coletivo"


Habituado a viver no Porto, junto da família, conta que a mudança para Itália não foi fácil: "Quando chegas a um sítio novo queres que as coisas comecem logo a correr bem, mas isso não é assim e no caso de Itália as coisas não correram logo bem. Não joguei logo de início e as coisas não estavam a sair como eu queria, mas acredito que faz tudo parte de um processo e que, quanto mais difícil é, mais crescimento eu tenho pela frente", diz o jogador que chegou a ter convites para o Sporting e para o Benfica, que nunca se realizaram, muito por influência da mãe: "Acho que os meus pais devem ter falado entre eles e decidido que ainda era muito cedo para eu sair de casa e ir para longe", diz o jogador, que na altura vivia no Norte com os pais, "ainda agora fui para Milão e sei que eles estão felizes, mas por outro lado preferiam que eu estivesse junto deles. E eu também gostava de estar mais perto", acrescenta.

É futebolista, mas poderia ter sido outra coisa qualquer. André Silva conta que veio parar ao futebol por acaso e por decisão dos pais: "comecei no futebol quando tinha seis anos, ainda não tinha maturidade nem inteligência para dizer o que é que eu queria fazer (...), na altura futebol era o desporto que todos os miúdos jogavam", começa por dizer. "Pelo que os meus pais me dizem, eu era egoísta, e eles queriam pôr-me num desporto coletivo", conta, acrescentando alguns episódios que se recorda: "Jogava muito videojogos e quando os meus primos iam a minha casa eu estava a perder e ia dizendo 'só mais este...só mais este' e eles acabam por só jogar uma vez numa tarde". E parece que o plano dos pais resultou. Quando olha para trás, André nota que "o futebol trouxe-me maturidade. Se quero atingir coisas que outros jogadores mais velhos já atingiram tenho de ter maturidade e responsabilidade".

Construir carreira no futebol não foi logo um objetivo e isso levou a que perdesse o ritmo por uns tempos: "Houve uma altura em que não estava nada preocupado nem focado no futebol. Fui de férias para a terra da família da minha mãe e não me preocupei nada e quando voltei não estava ao nível dos outros jogadores e era sempre pior do que os outros quando comparavam. Senti-me mal, não gostei da sensação que tive e parece que mudou um chip na minha cabeça; a partir daí sempre tive foco e tentei estar sempre a crescer". O jovem futebolista decidiu aí que era isto que queria fazer da vida, mas ao mesmo tempo, havia que estudar. Só que nem sempre era fácil conciliar os treinos com os estudos e, para conseguir notas positivas, revela que chegou a copiar nos testes: "Havia alturas em que era muito futebol, depois tinha a escola e tinha de dormir e tornava-se um bocado difícil, então às vezes antes dos testes fazia umas cábulas". Mas nem sempre o 'copianço' foi bem sucedido, André conta um episódio em que foi apanhado com cábulas e viu o teste anulado e sublinha que "não aconselho ninguém a fazer nem a copiar".

"cheguei a acabar com uma rapariga porque queria concentrar-me no futebol"


Para além dos estudos, também não foi fácil conciliar a vida pessoal e a promessa do futebol português conta que "cheguei a acabar com uma rapariga porque queria concentrar-me no futebol". O desportista tem noção que a sua popularidade aumentou muito nos últimos dois anos e conquistou muitos fãs, tanto no universo feminino, como masculino. Segundo repara, "o que elas gostam mais é do sorriso... pelo que vou lendo!", afirma. Questionado por Daniel Oliveira, diz que a mulher ideal, para si, "tem de ser doce, mas ao mesmo tempo atrevida. Tem de saber fazer as coisas no momento certo e mostrar-se uma pessoa querida, simpática e sincera. Também tem de ser atrevida nos momentos certos, mas o que dou mais valor é a ser sincera e ser fiel".
André é tido como uma pessoa reservada, mas garante que quando se sente à vontade é brincalhão e mais falador, contudo, é mais de atitudes: "Há muita gente nesta vida que fala demasiado e pouco faz, eu não sou muito um homem de palavras. Acredito que as atitudes que temos são mais valiosas do que as palavras".

"Quero entrar na História do futebol e, talvez um dia, voltar ao Porto"

A jogar na equipa principal da seleção portuguesa de futebol desde 2016, recorda o primeiro encontro com Cristiano Ronaldo: "Recebeu-me muito bem, falou comigo direito, esteve lá para mim", conta ainda que o capitão lhe dá alguns conselhos: "Diz-me para ter calma, vai falando sobretudo durante os treinos. (...) Lembro-me de ficar ainda mais surpreendido com ele nos treinos porque - eu já sabia que ele era rápido - mas houve ali momentos que fiquei 'como é que ele conseguiu fazer isto?!'". Acrescenta ainda que o ambiente na seleção é muito positivo e que se sente muito bem lá, "saio de Itália mas vou feliz porque vou estar a treinar na seleção com os outros jogadores e sinto-me mesmo bem lá".

Recorda um momento particular da sua carreira que ainda hoje lhe diz muito: "Quando marquei o golo de pontapé de bicicleta no Porto, quando comecei a jogar na equipa A". Apesar de estar no auge da carreira, Daniel Oliveira pede-lhe que imagine que estamos no ano de 2030 e pergunta como gostaria que tivesse sido a sua carreira; "quero chegar o mais longe possível, quero ganhar muitos títulos conquistados pelo meu trabalho. Quero entrar na História do futebol e, talvez um dia, voltar ao Porto", diz André, sorrindo.