Fernando Tordo foi o entrevistado deste sábado no 'Alta Definição' e a dependência do álcool foi a grande revelação desta conversa. O cantor, de 70 anos e mais de 50 de carreira, confessou que “Há 12 anos tomei talvez a decisão mais importante da minha vida, que foi deixar de beber” e apanhou de surpresa até Daniel Oliveira. O apresentador disse nas redes sociais, quando revelou o convidado desta semana, que "a confissão escapou a toda a pesquisa que eu tinha feito, porque nunca antes havia sido tornada pública".

"Eu tinha muita vontade de beber porque bebia excessivamente, mas tinha uma vontade doida de deixar de beber e isso ajudou muito no meu processo de tratamento do alcoolismo e de recuperação", revelou Fernando Tordo de forma bombástica no início da entrevista, acrescentando que "aproveitei o ter deixado [de beber] para deixar de fumar também". Este assunto nunca tinha sido revelado, o cantor justifica que resolveu agora torná-lo público porque "é uma missão minha também mostrar que é possível ultrapassar isto".
Fernando Tordo conta que começou a beber mais como forma de "ultrapassar o medo" e de escapar às "frustrações e aos desgostos". Hoje em dia já não bebe, mas continua a frequentar sessões dos Alcoólicos Anónimos, diz que alguém que teve essa dependência nunca pode deixar de o fazer, "nunca se pode deixar de ir e de falar sobre isso".

Numa entrevista marcada pela honestidade, Fernando revela que não foi o pai que gostava de ser: "O João e a Joana nasceram em 1975, um período agitadíssimo na minha vida (...) eu creio, em consciência, que poderia não ter sido pai". "O João e a Joana foram primorosamente educados pela mãe e pelo padrasto e isso deixa-me muito feliz, tenho um profundo respeito pela mãe dos meus filhos".
Para além de João e Joana, o cantor tem mais dois filhos, Filipe e Francisco e mostra-se muito orgulhoso pelo seu percurso e pelo reconhecimento que conquistaram sozinhos, referindo a literatura de João Tordo e a carreira em ascensão de Filipe enquanto pianista.

Nesta conversa há ainda espaço para outro grande amor: o Benfica."Eu não sou do Benfica, Daniel, eu sou o Benfica!", diz Tordo, revelando que o seu grande sonho é chegar aos 75 anos de sócio do clube, para receber a homenagem que assinala esse marco: "Depois da Eugénia, este é o casamento perfeito", brinca o compositor, depois de descrever de forma divertida o momento como imagina essa homenagem.

Fernando Tordo termina revelando que há muita obra sua inédita: "Há discos meus que só serão descobertos, provavelmente, depois de eu morrer", explica que devido às condicionantes das editoras, "mas elas ficaram gravadas, tive essa preocupação toda a minha vida, quis deixar tudo registado e vai ficar tudo registado até ao último dia".

Recorde-se que, em 2003, Fernando Tordo recebeu a Comenda da Ordem do Mérito, pelo Presidente Jorge Sampaio, como homenagem ao contributo da sua obra para a nação.
Em 2014, Tordo emigrou para o Brasil por estar descontente com a falta de trabalho em Portugal e desiludido com a falta de reconhecimento da sua obra. Atualmente, está de regresso ao país e está a trabalhar num disco de duetos que pensa há mais de 20 anos.