Denis Doyle

Foi precisamente há um ano que Dolores Aveiro sofreu um Acidente Vascular Cerebral Isquémico, tendo sido hospitalizada de urgência. Agora, um ano depois e recuperada, a matriarca do clã Aveiro fala publicamente pela primeira vez sobre os momentos angustiantes que viveu depois de ter sofrido o AVC.

"Faz hoje um ano que vi a Minha vida quase a fugir-me entre os dedos ,e afortunadamente eu consegui agarrar-me a uma luz, luz essa que me puxava para cima, uma luz que, teimosamente, insistia que aquele era só mais um obstáculo a ser ultrapassado e mais uma história de superação para contar da minha vida. Mais uma entre tantas", começou por escrever.

"Nunca falei abertamente sobre o que aconteceu na verdade, só porque recuperei a quase 100% as pessoas acham que nada aconteceu ou que foi pequeno o susto que eu dei aos meus filhos e a quem me ama de verdade, Nunca fui de me vitimizar, falo nas minhas histórias de superação com orgulho e não para que sintam pena de mim. Sei que existem milhões de histórias iguais ou piores que a minhas, mas cada um sabe da sua dor, não é verdade?", prosseguiu.

Reprodução Instagram, DR

‘’Esta foto foi tirada 12 dias depois, já com melhor aspeto", escreveu Dolores Aveiro na legenda da imagem que partilhou na sua página de Instagram. "Consegui voltar a falar sem embrulhar a língua, consegui movimentar o meu lado esquerdo que tinha ficado parado, consegui passadas três semanas de luta ir para a minha casa e ver todos os meus filhos e netos de braços abertos à minha espera (eu renasci naquele dia )consegui fazer tudo o que a (mãe ) faz pelos filhos e voltei a ser eu...aquela que eles tanto queriam", recordou.

"Foi duro, ainda é. Existem dias em que me vem à cabeça aquele dia 3 de março. Existem dias em que eu penso no quão pequenos somos diante dos desígnios de Deus, mas Deus sabe de tudo e sabe das nossas forças e, por isso, estou aqui para voltar e agradecer a quem confiou em mim em quem me deu forças e me permitiu lutar por mim e por eles...Só tenho a agradecer a uma equipa médica fantástica, aos amigos do coração, aos seguidores que sempre procuraram saber de mim e que oraram por mim, aos meus netos e filhos e ao meu companheiro e amigos, pois eles são o motivos de estar aqui", reforçou.


"Espero ser uma inspiração e fazer com que esta minha mensagem sirva para vos dizer que só o amor e a fé podem salvar o mundo [...] Eu fiquei na cama de um hospital ligada a dezenas de fios e entubada. As horas seguintes ao AVC foram de tortura para os meus, eles não sabiam como eu iria acordar, eles não sabiam como seriam os danos, eles estavam com medo de me perder para uma cama de hospital, inválida, sem os reconhecer, e com muitas limitações (típicas do que me aconteceu ). Nunca foi contada em público a gravidade da minha situação naquele momento, os meus filhos viram preocupação na cara da equipa médica, eles ficaram sem chão muitas horas e dias, o que passou para fora foi só a superação", recordou.

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"Eles agarraram-se ao meu respirar e à minha pulsação e ficaram com fé de que eu iria acordar sem sequelas no cérebro e no corpo. Acordei algumas horas depois ,sem saber o que me aconteceu muito bem. Olhei em frente e vi os meus filhos em volta da minha cama, eu rodeada de máquinas e sem conseguir me mexer. Só me lembro de ver as lágrimas do meu neto( aqueles olhinhos vivos me olhavam com tanto amor) e aí eu gritei ,gritei de confusão na minha cabeça, gritei, chorei muito [...] Naquele momento eu pensei que estava quase no fim. Horas antes, eu tinha ido para a minha cama, dois dos meus filhos moram fora da minha terra, dois deles perto de mim e quando abri os olhos eles os que estavam diante de mim", contou, lembrando o momento em que finalmente acordou.

"Aí eu pensei que era uma despedida, uma amarga despedida, Fiquei confusa, perdida, mas percebi que afinal tinha acabado de sobreviver a algo muito forte e teria que de ser forte por eles e voltar a ser quem eu era. E tudo o que me importava naquele momento era ser forte, era superar a luta que a partir daquele momento eu teria que enfrentar e foi por eles que eu me reergui. Foi pelos meus netos que me fortaleci foi por aquele neto (Cristianinho) que pediu ao pai dele para me ver no hospital, mesmo no estado em que eu estava. Ele sabia que o abraço dele era uma das coisas que eu mais precisava para sair dali vencedora. E fui. Iniciei um caminho de luta, lágrimas dúvidas, dias e dias lentos. No meio disto tudo chegou a pandemia, o estado de emergência, a limitação de visitas (que era uma das minhas forças) Já não os podia ver todos os dias ,eram regras e eu tinha que aceitar e ser forte por eles e por mim. Consegui voltar a subir e descer escadas, consegui fazer a minha higiene sozinha, consegui voltar a conduzir", completou.