John Berry

Neymar foi acusado de assédio sexual por uma funcionária da Nike, a empresa que patrocinava o jogador do Paris Saint-Germain há 15 anos. De acordo com documentos obtidos pelo The Wall Street Journal, a mulher alegou que o brasileiro se despiu e tentou forçá-la a fazer sexo oral num quarto de hotel na cidade de Nova Iorque, em 2016. Esta não é a primeira vez que Neymar é acusado. A par da denúncia da modelo Najila Trindade, em 2019, ambas as mulheres afirmam que o jogador estava embriagado.

A acusação formal foi feita em 2018, mas o caso permaneceu sob sigilo. Agora, o jornal norte-americano avançou que a empresa americana terminou o contrato com Neymar, no final de agosto de 2020, por este se recusar a cooperar no inquérito conduzido pela marca para apurar os factos da alegada agressão sexual. "A Nike terminou a relação com o desportista porque ele recusou cooperar num inquérito de boa fé sobre alegações credíveis de atos censuráveis cometidos contra uma empregada [da empresa]", anunciou a Nike em comunicado, confirmando assim as informações do jornal. No mesmo comunicado lê-se ainda que "o inquérito não foi conclusivo".

"Não surgiu um único conjunto de factos que nos permitisse falar substantivamente sobre o assunto. Seria inapropriado a Nike fazer uma declaração acusatória sem estar em medida de fornecer os factos que a apoiem", acrescenta.

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Neymar já se pronunciou acerca da alegação de assédio sexual negando-a e referindo que "nem conhece" a funcionária. "Os fatos podem ser distorcidos porque as pessoas os enxergam de ângulos diferentes. Não temos como negar que a vida é assim. Faz parte! Até entendo quando alguém faz uma crítica sobre minhas condutas, minha forma de jogar e de viver a vida. Somos diferentes!", começou por escrever na sua conta de Instagram.

"Eu realmente não entendo como uma empresa séria pode distorcer uma relação comercial que está apoiada em documentos. As palavras escritas não podem ser modificadas. Elas sim são muito claras. Não deixam dúvidas!", continuou, referindo que assinou o primeiro contrato com a marca aos 13 anos. "Sempre fui alertado: não fale sobre os seus contratos! Contratos são sigilosos!", afirmou.

"Contrariar essa regra e afirmar que o meu contrato foi encerrado porque não contribuí de boa-fé com uma investigação isso é absurdo, mentiroso. Mais uma vez sou advertido que não posso comentar em público.
Indignado vou obedecer! Mas a matéria do WSL é muito clara. Em 2016 parece que já sabiam desse acontecimento. Eu não sabia! Em 2017 viajei novamente para os EUA para campanha publicitária, com as mesmas pessoas, nada me contaram, nada mudou! Em 2017, 2018, 2019 fizemos viagens, campanhas, inúmeras sessões de gravação. E nada me contaram. Um assunto com tamanha gravidade e nada fizeram"
, contou.

É então que Neymar questiona: "Quem são os verdadeiros responsáveis?". "Não me deram a oportunidade de me defender. Não me deram a oportunidade de saber quem é essa pessoa que se sentiu ofendida. Eu nem a conheço. Nunca tive nenhum relacionamento. Não tive sequer oportunidade de conversar, saber os reais motivos da sua dor. Essa pessoa, uma funcionária, não foi protegida. Eu, um atleta patrocinado, não fui protegido. Até quando?", disse.

"Ironia do destino continuarei a estampar no meu peito uma marca que me traiu. Essa é a vida! Sigo firme e forte acreditando que o tempo, sempre esse cruel tempo, trará as verdadeiras respostas. Fé em Deus!", rematou. De acordo com o Globo Esporte, o jogador de futebol partilhou uma fotografia onde surge com o equipamento da seleção brasileira e cobriu o símbolo da Nike.