António Costa

António Costa

Rui Valido

António Costa esteve esta quarta-feira, dia 1, n’ O Programa da Cristina para falar do momento delicado que o país está a viver. O primeiro-ministro não esconde que, apesar de estarem a ser feitos todos os esforços para lidar com a pandemia da melhor forma, “ninguém está preparado para um momento destes”.

“Nós não sabemos se vamos estar assim um mês, dois meses… e isso é assustador para todos”, reconheceu ainda, antes de referir que é importante criar as condições necessárias à proteção de todos os portugueses, “para que todos possam retomar a sua vida normal”.

Numa altura em que o número de mortos continua a subir – são hoje 87 e há mais de oito mil infetados – António Costa explica: “É um vírus novo, que os próprios cientistas não conhecem ainda. Estamos na fase de aumentar e este é mês perigosíssimo, porque há a Páscoa. E este não é um ano para se fazerem grandes almoços de Páscoa. E pedimos aos nossos emigrantes de que não venham, que não se visitem os familiares na terra”.

Cristina Ferreira e António Costa

Cristina Ferreira e António Costa

Rui Valido

Perante as perguntas de Cristina Ferreira sobre o futuro, o primeiro-ministro é perentório: “Não vai haver vacina para todos podermos ser vacinados e ficarmos protegidos antes da próxima primavera-verão, o que significa que vamos viver, pelo menos, mais um inverno com vírus e sem vacina. Portanto, o que temos de conseguir nesta fase é gerir a pandemia de forma a contê-la, para que não haja uma destruição do SNS nem uma contaminação generalizada, o que seria dramático”.

António Costa falou ainda das medidas de apoio para empresas e trabalhadores que ficam sem rendimentos e reforçou que a grande prioridade é proteger empresas e famílias e garantir que “podemos viver estes dois, três meses com a menor perturbação possível nas nossas vidas”.

Questionado sobre a forma como lida com a responsabilidade que tem em mãos e se escolheria não a ter se pudesse, o primeiro-ministro português confessou que não é fácil. “Eu tenho muito orgulho de poder servir o meu país num momento tão difícil como aquele que estamos a viver. Tenho, obviamente, uma enorme angústia de saber se estou à altura deste momento e do esforço que temos de fazer”, afirmou.

Ainda antes de terminar a conversa, António Costa deixou um alerta a todos os portugueses: “Todos estamos sujeitos [a ficar infetados] e todos somos agentes do vírus. O vírus não anda sozinho, somos nós que o levamos e se nós não formos o vírus não vai”.