Tiago Caramujo

É já este domingo, 1 de março, que estreia na SIC o novo programa de Ricardo Araújo Pereira, Isto é Gozar Com Quem Trabalha. A par de Governo Sombra - em antena desde janeiro - o formato marca o regresso do humorista à estação de Paço de Arcos, onde se estreou há 17 anos.

Joana Marques, Manuel Cardoso, Guilherme Fonseca, Miguel Góis, José Diogo Quintela, Cláudio Almeida, Cátia Domingues e Luís Rodrigues formam o grupo de trabalho por trás do programa, que pretende abordar de forma sarcástica os principais temas da atualidade, assim como dar voz às personalidades das mais diversas áreas.

"Normalmente, esta expressão é um lamento. Nós queríamos que deixasse de ser assim. Nós vamos, em sentido próprio, gozar com quem trabalha porque as pessoas de quem nós vamos falar normalmente têm empregos a sério e importantes, e há qualquer coisa salvadora em gozar com quem trabalha. É muito pior, por exemplo, gozar com quem é desempregado. Teria sido uma falta de ética incrível", confidenciou o humorista em declarações à SIC, levantando um um pouco do véu do que aí vem.

Posto isto, o Fama Show decidiu fazer uma viagem pelo percurso televisivo de Ricardo Araújo Pereira, onde se destacam projetos como Gato Fedorento, Zé Carlos e Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios.

Em 2003, depois das primeiras aparições em televisão no programa de stand up comedy, Levanta-te e Ri, Ricardo Araújo Pereira protagonizou, juntamente com José Diogo Quintela, sketches humorísticos no programa de Fernando Alvim e Nuno Markl , O Perfeito Anormal, na SIC Radical . Tamanho sucesso levou a que Francisco Penim, diretor da SIC Radical na altura, propusesse um programa independente aos dois humoristas. Assim, a Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela juntaram-se Tiago Dores e Miguel Góis, nascendo o programa Gato Fedorento, um dos formatos humorísticos de maior sucesso da televisão portuguesa. O programa esteve no ar durante dois anos, entre 2003 e 2005, e contou com três temporadas, todas elas com apelidos de família. A primeira intitulada Fonseca, seguindo-se as temporadas Meireles e Barbosa.

Após o fim do programa na SIC Radical, Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis, rumaram à RTP. Na estação pública, o quarteto conduziu, entre 2006 e 2007, o programa Diz Que É Uma Espécie de Magazine. Um formato semanal que parodiava os assuntos da atualidade desde a política, passando pelo desporto à religião. Além dos habituais sketches de humor, havia espaço para várias rubricas, entre as quais, a de maior sucesso, Tesourinhos Deprimentes. Uma crítica sarcástica a trechos de programas antigos da RTP.

Entretanto, em 2008, o quarteto regressa à SIC, com o programa Zé Carlos. Um formato feito nos mesmo moldes de Diz Que é Uma Espécie de Magazine, exibido em horário nobre, todos os domingos, onde se destacaram rubricas como Bastidores da História de Portugal e TUMBA- Momentos de Relativa de Boa Disposição, esta última que passava por parodiar programas da então estação de Carnaxide.

Um ano depois, Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis foram responsáveis por conduzir, também na SIC, um dos formatos mais inovadores da televisão portuguesa: Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. Um programa diário e em direto, que visava caricaturar as eleições legislativas, que se realizaram em Portugal a 27 de setembro, e as autarquias, a 11 de outubro.

Diariamente, após o Jornal da Noite, o programa tinha como convidados os candidatos às eleições - como José Sócrates e Manuela Ferreira Leite - mas também com outras figuras ligadas política nacional, entre as quais Marcelo Rebelo de Sousa, Manuel Alegre, Joana Amaral Dias, Nuno Melo e Maria José Nogueira Pinto.

A última emissão do programa foi para o ar a 23 de outubro de 2009 com três convidados jornalistas, Rodrigo Guedes de Carvalho, José Alberto de Carvalho e Júlio Magalhães.

Quatro anos depois, o quarteto voltou ao horário nobre da SIC, com o especial A Solução. Um sketch humorístico, de dez minutos, que se propunha a resolver a crise económica e que contou com a participação de Rodrigo Guedes de Carvalho.

A solução para a crise passava por contratar um ator norte-americano, ligado às artes marciais, neste caso Steven Seagal, para “dar um pontapé nas partes baixas de Pedro Passos Coelho (primeiro-ministro, na altura) ” em troca de azeite, pastéis de nata, vinho e cortiça. E, como o orçamento não dava para ir mais longe, apelou-se à contribuição pública para que Seagal também desse "um banano" a Paulo Portas, então vice primeiro-ministro.

Em 2012, Ricardo Araújo Pereira passa a ser um dos rostos da TVI 24, com o programa Governo Sombra, emitido desde 2008 também na TSF. Um debate semanal sobre a atualidade, num registo humorístico e em tom sarcástico. Entretanto, em 2014, protagonizou o formato Melhor do que Falecer, ao lado do ator, Miguel Guilherme, e, mais recentemente, antes do regresso à SIC, conduziu, na estação de Queluz de Baixo, o programa Gente Que Não Sabe Estar, um formato nos mesmos moldes de Isto é Gozar Com Quem Trabalha.

Além da televisão, Ricardo Araújo Pereira tem se destacado na rádio, com a rúbrica Mixórdia de Temáticas, na Comercial, e na imprensa, com crónicas na revista Visão e no jornal brasileiro Folha de S. Paulo. Também já lançou vários livros, entre os quais Estar Vivo Aleija, Novíssimas Crónicas do Diabo e a Chama Imensa.