Reprodução Instagram, DR

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Na ficção, é Telma: a filha de Maria do Céu, a mais recente milionária de Golpe de Sorte. Na vida real chama-se Isabela Valadeiro, tem 22 anos, e esteve - hoje - à conversa com Daniel Oliveira sobre a importância da família, a mudança do Alentejo para Lisboa e o crescimento que tem experienciado nos últimos anos.

A determinação e a capacidade de trabalho dos pais marcou e moldou o seu percurso de vida: "Os meus pais tinham férias e iam trabalhar mais. Dizia que queria um brinquedo e eles diziam-me: ‘Não vais ter. É importante guardares. Se quiseres um curso, uma universidade, quero ter dinheiro para te poder pagar'".

Sobre a avó, recordou: "Foi a pessoa com quem cresci enquanto os meus pais trabalhavam 12 ou 14 horas por dia. Ensinou-me muito sobre o amor ao próximo. Eles são crentes e eu respeito isso, mas nunca me mostraram uma Bíblia para que eu acreditasse que o amor ao próximo era aquilo, mostravam-me com gestos".

Para estudar representação, mudou-se de armas e bagagens para ca capital e assumiu que nem tudo foi um mar de rosas, num início marcado por inseguranças e algumas dificuldades: "Vinha de uma aldeia, era uma miúda meio bloqueada em alguns sentidos. Vir para a cidade, formatar-me e adaptar-me às circunstâncias é um despir. Quando cheguei a Lisboa senti que não sabia nada, que não tinha lido o suficiente, que não tinha visto os filmes suficientes. Os primeiros meses na Escola de Atores senti que os meus colegas sabiam muito".

A atriz que hoje é um dos rostos que diariamente entra por casa dos portugueses em horário nobre chegou a conciliar os estudos com o trabalho numa loja: "Lembro-me de estar na loja a estudar e a tirar notas de livros para saber falar com as pessoas, para ter assunto, para me sentir melhor comigo", e também passou por alguns percalços financeiros: "Não dizia aos meus pais que não tinha dinheiro. Às vezes não tinha quase nada e não queria pedir. Passei semanas sem dinheiro quase nenhum na conta. Ia ao supermercado e às vezes não tinha grande coisa. Mas porque era minha opção não pedir. Nunca me faltou nada".

Mas o sucesso profissional é, muitas vezes, um impedimento para gozar de tempo de qualidade junto de quem mais ama e assumiu emocionada: "Sou um bocado ‘workaholic’. Se não tiver tempo para estar com os meus amigos, não vou estar. E tenho medo de não estar em momentos cruciais da vida deles. Já aconteceu".