O distinto português José Carlos Sequeira Costa vivia nos Estados Unidos - onde, desde 1976, era professor de piano na Universidade do Kansas - e, aos 89 anos, morreu vítima de cancro. A notícia foi confirmada à Lusa, hoje, por uma fonte próxima da família. No Facebook, Artur Pizarro - antigo aluno do pedagogo e pianista - anunciou a perda deste que foi um dos nomes mais notáveis do piano português no século XX.

Além-fronteiras, o artista arrecadou - em 1951- o Grande Prémio de Paris no Concurso Internacional Marguerite Long e, desde então, o seu nome passou a ecoar pelos quatro cantos do mundo com projeção nos palcos internacionais. Sete anos depois, a convite de Dimitri Chostakovitch integrou o primeiro júri do Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscovo.

Em 2004, Sequeira Gomes - que fundou o Concurso Internacional Vianna da Motta, de quem foi aluno - foi distinguido, por Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique. No mesmo ano, em entrevista à RTP, confessou a Ana Sousa Dias que por ter “abraçado inteiramente o espírito de Beethoven” já se sentia “para além da vida humana" por dedicar-se à interpretação integral das sonatas do compositor alemão.

Para o pianista, Bach era o “sol de todos os compositores” e Liszt - um dos seus criadores favoritos - tinha sido seu “avô espiritual”, uma vez que ensinou Vianna da Motta.

Na altura, confessou à mesma estação televisiva: “A chamada inspiração não existe. A inspiração é o resultado de um trabalho afincado, premeditado. Talento há, felizmente que é raro. Porque hoje em dia há milhares de pianistas, então os asiáticos estudam 25 horas por dia e não serve para nada, porque não têm o talento necessário como têm os europeus, mas isso é normalíssimo porque a nossa cultura de Beethoven, Bach, Chopin, era no centro da Europa”.