Sónia Brazão

Sónia Brazão

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Passaram mais de sete anos desde que Sónia Brazão ficou entre a vida e a morte e com queimaduras em mais de 90% do corpo depois a uma explosão em sua casa, em Algés. Em conversa com Cristina Ferreira, a atriz recorda os momentos mais difíceis de todo este percurso e conta como lidou com tudo o que foi dito na comunicação social, nomeadamente o facto de ter tentado suicidar-se. Acusações que, confessa a fizeram duvidar de si própria.

“Eu precisei de silêncio, de ouvir o silêncio novamente, de não ouvir o meu nome. Precisei de me ouvir outra vez a mim. Não à Sónia Brazão, mas à Sónia Margarida. [Esse silêncio] foi feito com amor. Com aqueles que eu sei que são meus, a minha mãe, o meu irmão, as minhas sobrinhas, os meus verdadeiros amigos, aqueles que me conhecem desde sempre. Precisei desse tempo para estar com as minhas raízes, o meu chão, para que a Sónia Margarida voltasse a cantar e a sonhar”, começa por dizer, antes de explicar: “Foram ditas tantas vezes que eu cheguei a duvidar de mim. Será que? É possível que? Depois disseram tanto… Eu realmente – fidedigno – não me lembro daquela noite, daquela manhã ou daquela tarde… Eu sei que estava cansada, vinha do Porto, tinha ido fazer os desfiles do Eugénio Campos e íamos para os Globos de Ouro dois dias a seguir. Eu tomava medicamentos para dormir, porque eu durmo mal desde miúda (…) Disseram tanta coisa, primeiro que tinha bebido, depois provou-se que não era, que foi o álcool que me puseram na pele porque absorve. Sei lá, falou-se tanta coisa que eu cheguei a duvidar de mim. Às tantas pensei que se realmente [tivesse sido uma tentativa de suicídio] eu só ia saber com o tempo. Se eu tivesse vontade de fazê-lo novamente… E se tivesse seria nessa altura da minha vida. Nunca tinha passado nada igual. E aos poucos esta certeza de quem eu sou tem voltado”.

Depois de reconhecer que não consegue “encontrar a lógica das coisas”, Sónia Brazão concluiu: “Há uma série de coisas que não encaixam, mas eu não vou ficar o resto da minha v ida a pensar nisso. Vou seguir em frente. Foi, foi, é um ato consumado e está tudo arruando. Estou em paz comigo e devagarinho segui em frente”.

Nesta conversa franca, a atriz afirma que “toda a gente tem pensamentos suicidas na vida”, mas garante que “se quisesse morrer, não seria assim e as pessoas que [a] conhecem sabem disso”. Na altura, um amigo terá mesmo dito: “Nunca seria assim. Podias até morrer, mas ias linda e maravilhosa”. “Eu não iria fazer uma coisa destas nunca. A minha maneira de ser, de estar na vida não é assim”, acrescenta.

Sónia Brazão recordou ainda o internamento, a forma como foi tratada pela equipa médica que a acompanhou, falou da primeira memória que tem do dia da tragédia e de como “tudo doía, até a alma”, do papel essencial da mãe em todo este processo e de como sempre acreditar que ia “ficar bem”.

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