Foi na tarde de 3 de junho de 2011 que uma violenta explosão destruiu o apartamento de Sónia Brazão em Algés, provocando sérias lesões na atriz, que ficou com mais de 90% do corpo queimado.

Na sequência do sucedido, Sónia Brazão foi acusada pelo Ministério Público pelo crime de libertação de gases asfixiantes por conduta negligente com intenção de se suicidar, tendo sido condenada, em 2013, a três anos de prisão com pena suspensa.

Agora, quase sete anos depois do incidente, Sónia Brazão, em entrevista à revista Cristina, recordou o episódio e os tratamentos de reabilitação a que foi submetida.

A explosão e os rumores de suicídio

Na altura em que se deu o incidente começaram a surgir os rumores de que a atriz sofria de uma depressão e que se tinha tentando suicidar, após ter ingerido vários comprimidos. Uma teoria que Sónia Brazão contrapõe dizendo que, na época, se encontrava numa fase preenchida da sua vida profissional e que, por isso, tomava medicamentos para dormir. “Eu estava a fazer os desfiles da Eugénio Campos e tinha uma agenda bastante preenchida. Realmente estava muito cansada e dormia pouco… E, então, tomei medicação para dormir, como faço sempre que tenho este problema”, contou.

Quando confrontada se alguma vez teve pensamentos suicidas, a atriz afirmou que o suícido foi algo que nunca lhe passou pela cabeça. “Toda a gente na vida tem pensamentos suicidas. Não há ser humano neste mundo que não o tenha... Eu não iria fazer uma coisa destas. Nunca. A minha maneira de ser e estar não é assim”, confidenciou.

Na mesma entrevista, Sónia Brazão chegou mesmo a dizer que ainda hoje tem dúvidas sobre o que realmente aconteceu. “Não consigo encontrar a lógica das coisas, como é que aquilo aconteceu. Se os bicos [do fogão] já estavam ligados há mais tempo, se não estavam? Se foi de lá? Eu nunca vi o fogão. Eu nunca voltei a casa. Há uma série de coisas que não encaixam. Mas eu não vou ficar o resto da minha vida a pensar nisso. E a pensar: ‘E se…’ Eu vou seguir em frente… Eu Estou em paz comigo e, devagarinho, sigo em frente”, contou.

Os tratamentos após o acidente

A explosão causou duras lesões a Sónia Brazão e deixou-lhe mais de 90% do corpo queimado. Esteve internada durante um mês e meio na Unidade de Queimados do Hospital de São José, em Lisboa, com prognóstico reservado. “Eu estive algum tempo em coma induzido por causa das dores… Tinha dor até de respirar… Tudo o que era visível no meu corpo estava queimado”, revelou.

Tendo na mãe o seu grande apoio, a atriz teve de reaprender a fazer uma série de coisas na sua vida. “Não sabia andar…Tive de reaprender todos os movimentos. Tive de reaprender a andar, a escrever”, contou.

Ainda assim Sónia Brazão teve uma recuperação rápida que surpreendeu os médicos. Estimava-se que o período de internamento pudesse ser de dois anos e a atriz abandonou a unidade de queimados ao fim de um mês e meio. “Eu nunca duvidei que ia sair dali bem. Nunca. Nem por um momento… Não sei porquê, mas era uma certeza muito grande que eu tinha. E eles (os médicos) davam-me uma calma tremenda”, recordou.

Finalmente, após vários tratamentos, a atriz viu a sua pele nascer de novo. “O Dr. Videira e a Dr.ª Paula Antunes, na Unidade de Queimados, estavam a testar aqui, em Portugal, uma nova técnica que é feita com placenta. De dois em dois dias, eu era coberta com membrana amniótica… Graças a Deus, em mim resultou e a minha pele renasceu em quinze dias”, confidenciou.

A vida profissional

Atualmente, longe dos holofotes, Sónia Brazão dá aulas de técnicas de representação a crianças entre os 11 e os 12 anos. “ A arte está comigo todos os dias, através de uma escola onde estou a dar aulas”, contou.

Com vários trabalhos em televisão no currículo, a atriz confessa sentir saudades do meio televisivo, colocando a possibilidade de um dia poder voltar. “Quem sabe? Tudo pode acontecer. A vida é assim: dá muitas voltas. E numa delas pode ser que sim”, admitiu.