Harvey Weinstein e Georgina Chapman

Harvey Weinstein e Georgina Chapman

Anadolu Agency

Cerca de quatro meses depois de ter colocado um ponto final no seu casamento com Harvey Weinstein, Georgina Chapman comentou pela primeira vez o escândalo em que o produtor de Hollywood está envolvido, depois de ser acusado de assédio e agressão sexual por mais de uma centena de mulheres.

Em entrevista à revista Vogue, a estilista britânica, cofundadora da marca Marchesa, não conteve as lágrimas ao recordar o momento em que descobriu a verdade, da qual, garante, nunca desconfiou. “Claramente, fui muito ingénua. Tinha o que eu pensava que era um casamento feliz. Amava a minha vida”, disse, referindo-se à união que durou mais de dez anos. “Senti-me tão humilhada e desfeita que... Achei que seria falta de respeito sair de casa! (…) Perdi cinco quilos em cinco dias. Não conseguia aguentar comida no estômago. As histórias começaram a surgir e percebi que isto não era um incidente isolado. E soube que precisava de me afastar e levar os miúdos para fora dali!”, afirmou Chapman. A designer de moda mudou-se primeiro de Nova Iorque para Los Angeles e, por fim, refugiou-se em Londres, tendo ficado ‘escondida’ em casa durante cinco meses. “Sentia-me humilhada e destruída”, frisou.

Harvey Weinstein, de 66 anos, Georgina Chapman, de 42, chegaram a acordo sobre o divórcio no início deste ano e a estilista terá recebido entre 15 e 20 milhões de dólares. Além disso, ficou com a guarda total dos dois filhos, India, de sete anos, e Dashiell, de cinco. E embora não se considere “uma vítima”, lamenta tudo o que aconteceu, essencialmente pelos filhos: “Como será a vida deles? Eles amam o pai. Mas eu não posso tolerar [o que aconteceu] por eles”.O escândalo foi tornado público em outubro. A carreira de Weinstein foi arruinada, a sua produtora declarou falência e está a ser investigado. O caso deu origem ao movimento #MeToo, contra o assédio sexual, ao qual as estrelas femininas da sétima arte norte-americana têm vindo a aderir.

Felicity Huffman

Felicity Huffman

gotpap/Bauer-Griffin

Além do abalo que a sua vida pessoal sofreu, Georgina Chapman também viu a sua empresa posta em causa, uma vez que muitas celebridades boicotaram a marca Marchesa nas passadeiras vermelhas de grandes eventos como os Golden Globe Awards ou os Óscares. A atriz Felicity Huffman (a Lynette Scavo da série televisiva Donas de Casa Desesperadas) revelou mesmo que Weinstein a tinha obrigado usar vestidos da marca em momentos oficiais, chantageando-a com a anulação de contratos caso se recusasse.

Scarlett Johansson

Scarlett Johansson

Jackson Lee

Mas esta segunda-feira, 7 de maio, na Gala do MET, Scarlett Johansson – uma das maiores ativistas femininas no mundo das artes e do espetáculo – voltou a vestir Marchesa, mostrando que acredita em Georgina Chapman quando esta diz que não suspeitava do comportamento do então marido.