Em outubro do ano passado, Uma Thurman afirmou "estar demasiado zangada" para comentar o tsunami de alegações sexuais contra Harvey Weinstein. Este sábado, a atriz revelou o que sofreu nas mãos do produtor e fallou pela primeira vez do abuso sexual por um ator 20 anos mais velho.

Pulp Fiction é o começo de tudo. O filme girou os holofotes para Uma Thurman, lançou Quentin Tarantino e tornou Harvey Weinstein num homem rico. Foi em Paris que Uma teve o primeiro indício dos impulsos do produtor que a conduziu de um quarto de hotel para uma sauna.

"Ali estava eu, vestida de ganga preta - botas, calças, casaco. Estava mesmo calor. Eu disse-lhe: 'Isto é ridículo, o que é que estás a fazer?' Ele ficou irritado comigo e saiu a correr", explicou.

Em Londres, antes das gravações de 'Kill Bill', Weinstein "tentou expor-se e fez todo o tipo de coisas desagradáveis". No dia seguinte, o produtor ofereceu-lhe rosas amarelas e disse-lhe que tinha “bons instintos”. Uma foi aos seus escritórios e ameaçou-o : "Se tu fizeres o que me fizeste naquela noite, vais perder a tua carreira, a tua reputação e a tua família. Eu prometo-te", afirmou ao New York Times.

“Eu sou uma das razões pelas quais uma jovem entraria sozinha no quarto dele, da mesma forma que eu o fiz”, diz a atriz que se sente “terrível” depois de todas as mulheres que foram atacadas depois dela.

Uma Thurman falou ainda abertamente da violação sexual que sofreu aos 16 anos por um ator 20 anos mais velho."Tentei dizer não, chorei, fiz tudo o que podia. Ele disse-me que a porta estava fechada, mas nunca corri para experimentar a maçaneta. Quando cheguei a casa, estava tão zangada pelas minhas mãos não estarem com sangue ou pisadas", confessa.