Júlio Isidro

Júlio Isidro

Reprodução Instagram, DR

Júlio Isidro partilhou nas redes sociais um texto muito emotivo sobre o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, que morreu esta sexta-feira, 10 de setembro, aos 81 anos. O apresentador não esteve presente no funeral, que decorreu este domingo, 12 de setembro, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, mas acompanhou de perto as cerimónias fúnebres.

"Partilhar lágrimas como abraços", começou por escrever Júlio Isidro. "Senhor Presidente, não vou usar mais expressões elogiosas sobre a sua condição de cidadão e obra enquanto político. Tudo dito, tudo justo", acrescentou.

"Venho aqui dizer-lhe que não estive no seu velório e por razões óbvias, no acto final da sua homenagem nos Jerónimos. Fiquei em casa a olhar pela televisão, porque temos um ponto comum... somos de choro fácil. Não quis que câmaras indiscretas me vissem de lágrimas a correr, como aconteceu comigo ontem e hoje. Vi-o em imagens retrospectivas a chorar, e chorei consigo", confessou.

"Ouvi-o dizer que não há portugueses dispensáveis e admirei a sua capacidade para unir o que parece quase utópico, este país. Ouvi a Maria do Céu Guerra dizer "Uma pequenina luz" de Jorge de Sena e chorei, porque o sei quase de cor, e fiquei a saber que em comum temos este poema e o seu autor como dos nossos preferidos. Fixei a frase do seu filho André quando disse que o pai foi um homem justo, corajoso, mas sem medo de chorar. Também assumo esse gesto em forma de abraço", disse.

"Escrevo estas palavras tão à maneira de quem não é da literatura, com a nossa foto à frente dos olhos no dia em que me condecorou com o título de comendador da Ordem do Infante... e não vou reproduzir a sua dedicatória. Nunca pensei que tal pudesse acontecer a uma pessoa como eu , que tal como o senhor, "nunca quis ser herói" e não sou. Em dois dias consolidei a minha convicção de que o senhor "amou Portugal, não pela força mas pela sua fragilidade" e percebi a razão de ser destes versos : Uma pequenina luz bruxuleante e muda... Mas brilha. Não na distância. Aqui no meio de nós. Brilha", afirmou.

O apresentador de televisão explicou ainda porque não esteve presente no funeral: "Talvez por medo de mim próprio não desfilei perante o seu caixão, mas vi com olhos solidários, o sofrimento cheio de dignidade da sua mulher Maria José e dos seus filhos Vera e André. Registei as mãos a suportarem a mãe de quem disseram: -À nossa mãe, sempre, sempre, estamos aqui para si e sempre consigo", contou.

"O dia está a morrer e o crepúsculo tinge o céu de cinza e vermelho suave. Mas há uma pequenina luz que continua a brilhar, a brilhar", rematou.