Catarina Manique

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Catarina Manique, a agricultora do Fundão que se tornou conhecida por ser a primeira mulher a participar no programa Quem Quer Namorar Com o Agricultor?, da SIC, está de luto pelo pai.

Nas redes sociais, a jovem partilhou uma fotografia onde surge ao lado do progenitor e da irmã de deixou uma mensagem sentida de despedida.

A última fotografia de Catarina Manique com o pai

A última fotografia de Catarina Manique com o pai

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“Esta foi a nossa última foto Pai, antes de partires para França. Muita coisa aconteceu entre nós, tristezas, chatices, mas conseguimos dar a volta e recuperámos de tudo isso. Apesar de estarmos longe, ambos fizemos o que pudemos e nos era possível para estarmos perto e nesta fase tão difícil dei o melhor que pude e sabia para o apoiar”, começou por escrever Catarina Manique no Instagram.

“Sei e entendo que a sua teimosia em não querer vir para Portugal era para não dar trabalho e preocupações, mas essas estavam cá sempre. Foi muito bem tratado e acompanhado no hospital. Nesta nossa penúltima conversa dizia me que vinha a Portugal muito brevemente e eu estava convicta que vinha mesmo”, prosseguiu a agricultora.

“Cada chamada que fazíamos garantia que estava bem melhor e que não tardava vinha cá, mas, infelizmente, não vem como nós queríamos ou estávamos a pensar. Apesar de nos dizerem para nos prepararmos, nunca estamos preparados para estas coisas. Sei que foi o melhor para si porque o sofrimento era tremendo e conseguirmos despedir-nos um do outro sei que foi bom para mim, mas também para si. Agora ficam as lembranças boas e sei que vai estar a olhar e a cuidar de nós... um até já”, acrescentou ainda, antes de deixar uma mensagem de agradecimento: “Bem-haja a todo o apoio que estão a dar-nos”.

Recorde-se que os pais de Catarina Manique estavam separados há já largos anos, como a própria revelou durante a sua participação no programa. Em junho de 2020, em entrevista para o matutino da SIC, Teresa, a mãe da agricultora contou que se divorciou aos 42 anos, depois de 22 anos de casamento, e numa das piores fases da sua vida, já que a filha, então com 12, lutava contra uma leucemia.

“Ele era uma pessoa que não me ligava nenhuma. Eu era a escrava onde ele limpava todos os dias os pés. Eu trabalhava que nem uma negra e ele passeava”, disse na altura, lembrando que foram as pessoas que conheceu no IPO quando teve de se mudar para Lisboa para acompanhar a filha nos tratamentos que a ajudaram a ver a dura realidade do seu casamento. “Abri os meus olhos porque eu andava com eles fechados. Aquilo era um meio pequenino e ai daquelas que se divorciassem”, recordou, referindo-se ao Fundão.

Teresa Faísca, mãe de Catarina Manique, a primeira agricultora de 'Quem Quer Namorar Com o Agricultor?'

Teresa Faísca, mãe de Catarina Manique, a primeira agricultora de 'Quem Quer Namorar Com o Agricultor?'

DR

“Quando cheguei a minha casa, eu que deixei um certo dinheiro no banco e estava todo destruído e não tinha nada. Eu tinha a minha conta descoberta em 20 euros. Eu quis arranjar lá um quarto para a minha filha e uma salinha de estar, senão não me davam autorização que eu a levasse para casa, que eu ainda tive de ter a minha Catarina na casa da madrinha, que é a minha irmã, para eu arranjar. Cheguei lá e não tinha um tostão. E eu disse: o que é que eu ando aqui a fazer?”, contou ainda a Cristina Ferreira, adiantando que foi depois desse episódio que decidiu colocar um ponto final no casamento.

“Quando eu me levantava era quando ele ia para a cama. E naquele dia eram duas da manhã e ele não ia para a cama e eu fui chamá-lo: 'então mas que vida é a nossa?'. E ele vai, bateu com os pés no chão, e foi como quem disse: 'Vai-te embora que me estás a estorvar'. Eu fui para a cama e toda a noite chorei e disse para mim: 'deixa lá que é hoje'. Levantei-me eram cinco da manhã para ordenhar as minhas vacas. Ele eram 8 da manhã quando apareceu ao pé de mim, e eu disse-lhe: 'Olha, a partir de hoje governas-te porque eu não estou mais para governar ninguém. Vais à tua vida que eu fico com as dívidas que tenho e com as duas filhas, uma doente e a outra com saúde'. E ele não queria sair e eu obriguei-o a sair de casa”, explicou.

Teresa reencontrou, entretanto, o amor ao lado de um vizinho.