Nuno Markl

Nuno Markl

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O dia de ontem, 25 de abril, ficou marcado pelas piores razões: dois casos de bullying que vieram a público e que deixaram os portugueses chocados. Trata-se do caso do ator Manuel Moreira que expôs nas redes sociais mensagens homofóbicas que recebeu por parte de jovens e de um rapaz de 13 anos que foi atropelado na tentativa de fugir a um grupo de raparigas que o estavam a perseguir.

"No espaço de poucas horas vimos miúdos imbecis a fazer bullying de Internet ao actor Manuel Moreira e miúdos imbecis a fazer bullying na rua a este miúdo, que acabou atropelado por um carro à conta disso (a história podia ter acabado ainda pior)", começou por escrever na legenda de uma fotografia onde mostra os segundos antes ao atropelamento.

"Claro que, enquanto adultos, podemos sempre sacudir a água do capote e dizer “realmente os miúdos nestas idades são cruéis e estúpidos”. Só que miúdos são filhos de adultos, e são adultos que temos visto, cada vez mais, a usar sites de jornais e redes sociais para agredir o próximo, naquilo que parece um crescendo de ódio e intolerâncias várias - homofóbicas, racistas, ideológicas. Algumas apenas clubísticas, mas ódio. Ódio, ódio, ódio", continuou. E acrescentou: "Acho que nunca se odiou tanto neste país. Consultem o Instagram do Radar de acéfalos - é uma montra assustadora."

"Nós nunca fomos merecedores do epíteto de “país de brandos costumes”. Isso é uma velha e bafienta falácia que significa apenas que fomos, pelo menos até chegar a Internet, um país de ódio visceral reprimido, prestes a rebentar por algum lado (e ocasionalmente a rebentar sob a forma de “tradições” como a violência doméstica)", sublinhou.

O radialista disse que há falta de educação por parte dos pais: "Bullying sempre houve (eu que o diga), e até concordo com o Chris Rock quando diz que agradece aos seus bullies uma certa carapaça que o preparou para as agruras da vida. É verdade. Mas caminhamos para uma cultura de ódio vivo que é normal que passe de pais para filhos - a chamada “educação”", disse.

"Os miúdos são, de facto, uns imbecis - porque, muito provavelmente, adultos andam a treiná-los para isso. Alguns activamente; outros por negligência, preguiça ou desinteresse", rematou.