Zé Manel

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Zé Manel partilhou nas redes sociais a sua revolta face à notícia da morte de Maria João Abreu, aos 57 anos. O músico compôs um tema que dedicou à atriz da SIC e deixou a seguinte mensagem:

“Amar-te, João.

Não sei explicar-vos de que forma a partida da Maria João Abreu mexeu comigo. A verdade é que tenho a perfeita noção de que não sei lidar com a morte. Com excepção dos meus avós, só quando o meu Pai me deixou consegui ganhar outra noção de finitude e perspectiva do tempo, bem como do que com ele fazemos.

A morte da João acicatou em mim a mesma revolta que senti quando terminei de ver o filme Variações. Que raio de gente somos nós que ignoramos em vida para celebrarmos após a morte? Hoje, todos sabemos a falta que Maria João Abreu nos faz. Pelas memórias que nos deixou, pela sua transversalidade e pela humanidade com que tratava aqueles com quem se cruzava. As verdadeiras estrelas não se comportam como tal e é isso que faz delas pessoas de excepção.

Isso faz-me questionar porque é que só há coisa de três ou quatro anos Maria João Abreu foi protagonista de uma novela em horário nobre. Por acaso, líder de audiências. Podíamos não ter ido a tempo. Não acham que lhe devíamos muito mais? Isso faz-me pensar noutras pessoas como o Luís Represas, a Serenella Andrade, o Carlos Cunha, a Isabel Angelino, a Dulce Pontes, o Carlos Areia, que fazem parte da nossa cultura, são familiares de todos nós e constantemente são preteridos em prol de novatos sem qualquer experiência ou mérito, numa geração em que a idade parece assustar mais do que a falta de brio e todos fazemos apologia de uma frescura falaciosa que pouco conteúdo trás

Que a João nos permita pensar que não gostaríamos que estes e tantos outros possam partir sem terem tido a oportunidade de viverem com a grandeza que têm, para darmos lugar a quem ainda muita sopa tem que comer. Bem sei que cobrarão menos e estarão dispostos a fazer mais

Naturalmente que certos nomes e carreiras não se constroem para que façamos o mesmo que fazíamos há dez anos por um terço das condições... não sei. Pensem nisso. Se calhar temos que reduzir em número para aumentar em qualidade e realmente recompensar, justamente, quem o justifica. Quem o público conhece, ama e aplaude. Que não seja depois da morte. Ela já cá não está para ouvir esta... mas eu fi-la para ela. Os meus sentimentos João Soares, ao José Raposo e aos filhos”.

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