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"Cansaço. Raiva. Frustração". É isto que Ljubomir Stanisic sente ao deparar-se com uma nova realidade devido ao novo coronavírus. Na sua conta de Instagram, o chef fez, mais uma vez, questão de deixar a sua opinião sobre as regras do governo para combater a pandemia.

"Em Março, fui uma das vozes que defendeu publicamente o encerramento dos restaurantes. Porque enfrentávamos pela primeira vez uma pandemia que não conhecíamos, não sabíamos exactamente como se propagava ou como nos poderíamos proteger. Porque a saúde e as pessoas tinham (têm) de estar primeiro. Até porque, sem elas, não existe sequer economia", começou por escrever na legenda da publicação.

"Nos mais de dois meses que estivemos encerrados e desde então, tivemos tempo. Para aprender mais sobre o vírus, para definir regras para o funcionamento dos restaurantes salvaguardando trabalhadores e clientes, para estabelecer protocolos que nos permitem manter a economia a funcionar sem comprometer a saúde", continuou.

Conhecido por não ter medo de desafios, Ljubomir 'arregaçou as mangas' e fez com que o seu negócio cumprisse todas as regras. "A maioria dos restaurantes têm sido exemplares no cumprimento das regras. Cumprimos tudo o que nos recomendaram e pediam e fomos mais além. Falo por nós, 100 Maneiras, mas também pelos muitos restaurantes de colegas e amigos que vi reinventarem-se com uma capacidade de adaptação admirável", explicou.

"Os fins-de-semana são cruciais para a sobrevivência dos restaurantes", afirmou, referindo-se a uma das medidas impostas pelo governo que proíbe a circulação de pessoas, nos 121 concelhos de maior risco no país, a partir das 13h e até às 5h.

"É preciso fazer alguma coisa, é certo, mas num momento em que os restaurantes serão provavelmente dos sítios onde as normas se seguem mais à risca, esta é uma medida com uma eficácia de que duvido muito e com um custo potencialmente letal para todos os que trabalham directa ou indirectamente neste sector. São cozinheiros, copeiros, ajudantes, empregados de sala, escanções, hosts, administração, equipas de comunicação, pessoal da manutenção, mas são também os fornecedores, produtores, todos aqueles cujos produtos não encontrarão forma de ser escoados. São centenas de bocas que ficarão por alimentar", esclareceu.

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"Bem sei que a restauração não é o único negócio afectado, que este é um momento duríssimo para todos. Mas permitam-nos fazer parte da solução. Não nos deixem para trás. Da nossa parte, o compromisso é absoluto. Só queremos sobreviver. Porque não é só da doença que se morre...", acrescentou.

Ljubomir Stanisic deixou ainda um apelo: "Se puderem, vão comer: aos restaurantes de bairro, aos estrelados, aos tradicionais, aos familiares, aos alternativos… Mas vão. Não podemos ficar de braços cruzados a ver um sector morrer. Malta da restauração, façam-se ouvir!"