António Raminhos

António Raminhos

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Sexta [4 de setembro] foi provavelmente um dos dias mais tristes da minha vida em relação a ansiedade e ao transtorno obsessivo compulsivo. Fiquei frente a frente a um dos meus maiores medos, dos meus maiores ‘e ses’. Que me acompanha há mais tempo. Não interessa o que foi, porque qualquer que seja a ‘fonte’, o resultado é o mesmo. A minha mulher, que me viu, diz que não parecia eu. Estava assustado, desorientado. Naquele momento morri. Estava condenado à morte e sem futuro. Sem saber o que fazer. E ainda estou, muito”, começou por escrever António Raminhos no Instagram, onde, mais uma vez, partilhou com os seus seguidores um testemunho impressionante sobre esta doença mental.

“Já levo muitos anos nisto e muito trabalho, mas às vezes é como remar com calma e perseverança, e, de repente, vem um tsunami. E isso magoa. Sinto-me triste, revoltado, abandonado, incompreendido e vazio. Os amigos podem dizer que não há problema que a questão até pode ser real, mas está a ser exagerada e o que penso é ‘o que sabes tu do que vai na minha cabeça?’”, prossegue antes de questionar o porquê de lhe acontecer a ele e em fases em que acha que a situação está mais controlada.

António Raminhos

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“Depois surgem as cobranças: ‘Eu que gosto de ajudar os outros (porque gosto não estou à espera de recompensa), que luto para conseguir os meus projetos, que tive uma infância que não ajudou muito, e que por isso procuro dedicar tempo à família, que medita, que quer conhecer-se melhor e depois leva com estas balas?! Onde está a recompensa? Onde está o trabalho feito? Onde está o colo do Universo?
E baixei os braços e fiquei triste e revoltado comigo, com Deus, com a minha história que me trouxe aqui. Ainda estou. E não me importo. Que mesmo em baixo, a minha primeira preocupação foi não sofrer em silêncio. Foi pedir ajuda ao meu terapeuta, e ao meu psiquiatra porque claramente preciso de um apoio. Um apoio para eu poder trabalhar-me melhor! Não para me fazer esquecer ou manter-me funcional apenas. Apoio para eu descobrir-me com mais calma. E porque sei que a maravilha da vida é esta: Cada dia é uma hipótese de respirar fundo… E por isso, por muito que me apetecesse estar fechado e isolado ou internado para que tomassem conta de mim… resolvi ir passear no fim-de-semana”, pode ainda ler-se no texto que comoveu os internautas.

António e Catarina Raminhos com as três filhas

António e Catarina Raminhos com as três filhas

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E António Raminhos deixa um alerta: “Prestem atenção. Escrevo este post, não para me darem palmadinhas nas costas ou dizer ‘força’ ou ‘com essa família podias ter tudo bem, não penses nisso!’, até porque as coisas não funcionam assim. Nem são assim. Escrevi este post para que não se fechem nos vossos medos. Para que compreendam que há dores que só nós conhecemos, mas que podem ser partilhadas por muitos nas suas mais variadas formas e feitios. Estou a escrever este post para que procurem ajuda sem medos nem vergonhas. Isto é simples, se têm um pneu furado, quanto mais tempo andarem assim piores são os estragos. Há que pedir quem vos ajude a mudar o pneu até que vocês o saibam fazer sozinhos, mesmo que demore mais tempo. Quando vocês procuram essa ajuda, entendem uma coisa: Todos somos estranhos até perceber que isso é normal”.

António Raminhos é casado com Catarina Raminhos há 13 anos, mas estão juntos há mais de 20. Desta união nasceram três filhas: Maria Rita, Maria Inês e Maria Leonor.