A segunda temporada de Árvore dos Desejos chegou ao fim no último sábado, 4 de abril. Desta forma, João Manzarra - que percorreu de norte a sul a escolas do país para satisfazer os desejos dos mais novos - fez questão de deixar uma emotiva mensagem de despedida nas redes sociais.

“A Árvore dos Desejos chegou ao fim. Deu-me enorme alegria perceber o impacto positivo do programa na vida de tantos bem como receber todas as mensagens incríveis que partilho com todos os intervenientes, começou por escrever.

“No entanto, muitas delas, em tom de brincadeira ou elogio, referiam que no seu ecrã, eu fui ou parecia ser uma criança. O que não me deixa de forma alguma melindrado porque entendo a intenção e o racional, mas que é sintomático da imagem que atribuímos ao que é ser adulto. E para mim é bem claro que se eu naquele espaço fosse criança jamais conseguiria gerir todas as dinâmicas exigidas. Um adulto é a meu ver uma criança otimizada”, continuou.

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Foi preciso chegar a adulto para ser consciente da importância da gentileza e da compaixão. Foi preciso chegar a adulto para ter inúmeros encontros com todo o tipo de pessoas, situações ou palavras nos livros e poder partilhar o que vivi. Foi preciso chegar a adulto para ser mais ético e admitir a minha responsabilidade em quase tudo o que acontece. Foi também preciso chegar a adulto para entender que brincar, imaginar e sonhar não é exclusivo das crianças”, frisou.

Sinto-me criança quando passo demasiado tempo ao telemóvel, compro coisas inúteis, me irrito no trânsito ou empilho roupa suja no canto do quarto. É o “eu” que identificou os seus próprios erros e que não os corrigiu. Ser adulto é tomar consciência das falhas e não resignar. Há a tendência de enaltecer o “ser criança” e pesar no “ser adulto” quando todos os segundos da nossa existência somos convidados a tomar decisões que nos permitem transformar numa versão melhorada de nós próprios”, referiu.

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Um adulto é responsável quando entrega amor e terreno fértil para as crianças desenvolverem as sua potencialidades, enquanto ensina os limites, diz que não podem ter, nem fazer tudo, que não estão isoladas do mundo e que não são mais que ninguém. Quando nos admiramos com os mais novos e com os seus desejos, é porque foram, salvo raras exceções, bem encaminhados por quem os rodeia. Sendo a vida uma sucessão de encontros inéditos com o Mundo, que na maioria das vezes é o outro , é fundamental ensinar a usar a razão para fazer desses encontros experiências agradáveis”, rematou.