Hélder Reis

Hélder Reis

Reprodução Instagram, DR

No início deste ano, Hélder Reis sofreu uma perda devastadora. A mãe do apresentador morreu aos 84 anos, três dias depois de recuperar de uma pneumonia como revelou a Cristina Ferreira, durante "O Programa da Cristina", transmitido pela SIC.

Esta terça-feira, dia 31, Hélder desabafou no blogue que gere, ‘Água em Azeite’, sobre este que é um dos momentos mais difíceis da sua vida, sublinhando que "as mães não morrem".

"Morreu-me a minha Margarida", começa por dizer. "Viver o luto e este isolamento, é das experiências mais desconcertantes, introspetivas e reveladoras da minha vida, mas a vida vai-nos amansando a dor. A vida destes dias é mesmo isto, adoecem, morrem, e nós temos de continuar, nós os que ainda não padecemos, achando que ainda está longe de nos bater à porta", continua, referindo-se à pandemia do novo coronavírus.

De seguida, o apresentador partilha o texto que leu em homenagem à progenitora, no dia da despedida, que pode ver abaixo:

A minha mãe teve o melhor nome que a vida lhe poderia dar, Margarida. As margaridas são flores simples e com rosto feliz. Na entrada da nossa casa, a minha mãe plantou margaridas, eram as melhores boas-vindas a quem entrava. Sou o filho mais novo da minha mãe Margarida, tive a sorte de ter uma mãe madura na vida, experiente no sentimento, tive-a perto de mim durante 44 anos, que bênção. Somos 5 filhos, tivemos a felicidade de sermos amados por uma mulher que foi professora, ainda há alunos que a chamam de professora, costureira, agricultora, dona de casa, uma cozinheira de mão cheia, apicultora, mulher e mãe. Sempre mãe. Cheia de vidas.

Amava rir, lembro as gargalhadas que dava, fechava os olhos de tanto rir. Não fosse ela nome de flor, era uma apaixonada por flores, e como ficava triste quando alguma lhe morria. Flores do campo, orquídeas, estrelícias, avencas, suculentas, rosas, catos e próteas. O meu pai bem que lhe pedia para fazer no jardim uma horta, mas nunca conseguiu tirar-lhe o lugar das flores. Tivemos um cato que viveu mais de 20 anos, era regado com amor, em doses suaves.

Gostava de poesia simples, de música serena, de pessoas que falassem baixo, nunca gostou de gritaria e confusões da vida. Era uma mulher da terra apaixonada pela praia, os melhores verões eram os que íamos os dois de bicicleta até beijar o mar. Ainda há pouco tempo me dizia: ‘as ondas são um mistério tão grande’. E perdia-se a olhar para elas. A praia agora é menos praia porque a Margarida não está lá para olhar o mar.

A minha mãe era uma mulher simples e sabemos tão bem como é difícil e sábio ser-se simples num mundo tão complicado. O meu amigo Nelson ensinou-me que uma mãe não morre. Ainda não aprendi bem esta lição, mas, sendo assim, até já, mãe Margarida, doce Guidinha, como lhe chamavam quem lhe conhecia o coração. Obrigado por tanto amor, serenidade, resistência, humildade, sabedoria e paz. Até já, mãe.