Esta quinta-feira, dia 20, cinco projetos de lei sobre a despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PEV, PAN e Iniciativa Liberal, foram aprovados na Assembleia da República. À semelhança de muitas outras figuras públicas, Bruno Nogueira partilhou um texto cujo foco era a liberdade de escolha, liberdade essa que foi silenciada pelo Facebook.

O conteúdo é eliminado quando existem várias denúncias por terceiros, apesar de todos os comentários positivos que surgiram na sua publicação. Após o bloqueio, o humorista reagiu com ironia. "Maravilhoso mundo livre".

Nuno Markl também se manifestou no Instagram. "O Bruno Nogueira escreveu no Facebook um texto decente, articulado, inteligente, dando a sua opinião sobre a lei da eutanásia. Não há no texto um laivo incendiário ou insultuoso - apenas uma opinião, bem escrita, até conciliadora, sobre a importância da liberdade de escolha. Aconteceu isto. Entretanto, posts xenófobos, violentos, insultuosos permanecem intocáveis - “não achamos que vão contra os critérios e as regras etc etc”, dizem eles. Um nojo absoluto", escreveu o locutor.

Leia o seu texto na íntegra:

"A lei que foi hoje aprovada na assembleia sobre a despenalização da eutanásia é um grito importante da liberdade individual de cada ser humano. Ainda falta muito caminho, mas a noite fez-se mais clara. Os que são a favor hão de poder, finalmente, tomar essa decisão, que só diz respeito a quem a toma, e os que são contra podem tomar a decisão de optar por um fim diferente para a vida, se assim o entenderem.

É uma lei bonita em que ninguém sai a perder, e é isso que custa a entender nos adeptos fervorosos do não: a incapacidade de perceberem que o melhor para eles não serve toda a gente. Que a vitória do sim não os obriga a escolherem a eutanásia como solução final. Que a ideia de corpo decomposto e em dor física ou psicológica até um final divino é uma ideia que pode servir uns e revoltar outros. Que sofram os que querem esse caminho (não há julgamentos morais), e que partam com hora marcada os que querem dar por findo o capítulo.

Cuidar da vida é também deixá-la quando ela nos trai. Negar a morte a alguém não pode ser assunto de quem vive com o corpo todo. Hoje ganhou a liberdade de escolha, para o sim e para o não.
Será que uma vida só termina quando o coração se demite das suas funções? Um dia também eu terei essa pergunta por perto. E felizmente, se tudo correr bem, poderei ser eu a escolher a minha resposta", concluiu"