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Reprodução Instagram, DR

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Ana Rocha de Sousa está de luto. A atriz e realizadora perdeu a avó, conforme fez saber esta segunda-feira ,26 de julho, através de uma emotiva mensagem deixada nas redes sociais.

"Nascemos. Vivemos. Morremos. Perdi a minha avó. Sabia que esse dia ia chegar. Sabemos todos. Mas não sabemos. Achamos que sim, que é natural. Que faz parte.
A morte dos nossos mata-nos. Mesmo quando é suposto ser natural.
Perdi a minha avó. Mas muito antes disso, ela pensou ter-nos perdido a nós. Sem entender que o mundo mudou radicalmente devido a um vírus qual guião série Z.
A minha preciosa avó.
O rosto da coragem. Absolutamente à frente do seu tempo. A elegância. No estar. No vestir. No ser. No escolher. Tudo. Mulher de força. Não precisava falar. Aniquilava corações só de passar. Respirava bom gosto. Sempre linda nem que fosse para ir ao pão ou ver o correio. Uma mulher a quem levaram tudo. Mulher que quando todos fugiam da guerra, ela teimava firme para defender o que era dela. A última a baixar os braços. Fez frente a homens armados. Sem medo. Mulher incrível que intimidava quem a olhava nos olhos. Brava mais brava não havia. Bela e brava. Não lhe faziam frente. Teimosa. Séria. Linda. Era vê-los a tombar e outros a cair. Não lhes ligava. Amou o meu avô. História de filme naquele tempo.
Até ao dia em que perdeu um filho, o meu tio. O seu maior amor, a sua maior dor. Quando um dia lhe bati à porta sem aviso, assim que me viu ...sentiu.
Como ia ela sobreviver à morte de um filho?
Mulher fortíssima. Nunca mais foi a mesma. Nenhum de nós.
Seguiu sobrevivendo. Vivendo também muito por nós.
Uma força da natureza que ficou mais calada.
Sempre forte. Frontal.
Ri-me tanto mas tanto ao longo da vida com ela. Genial na sua graça séria.
Dizia o que achava, na elegância que tinha.
Eu, o meu irmão e os meus primos, morríamos de amor por ela. Todos.
Era épica. Única. Cinematográfica. Sem esforço nenhum de ser.
Anos a fio diziam que era igual à Amália Rodrigues. E foi. Tão parecida ao ponto de lhe pedirem na rua para cantar. Porém tinha um brilho só dela. Absolutamente dela.
Parava lugares, ruas inteiras, cidades.
E quem não acredita é porque nunca a viu passar.
O mundo literalmente parava só para a ver passar.

A minha filha chama-se Amália por ela. Por ela.
Onde quer que estejas ... que saibas sempre do meu amor por ti", pode ler-se.