Prestes a estrear-se no UEFA Euro 2020, a seleção nacional está instalada na Hungria país, onde nasceu Miklos Fehér, jogador que morreu em 2004. O futebolista, que representava na altura as cores do Benfica, perdeu a vida em campo na sequência de uma paragem cardiorrespiratória. Nuno Pereira, jornalista da SIC, foi até Gyor, terra natal de Miklos Fehér, e reencontrou os pais do jogador.

Em conversa com Nuno Luz, no podcast Vamos a Jogo, do Expresso, o jornalista relatou a entrevista ao casal e lembrou que foi no velório do futebolista que chorou pela primeira vez em televisão. Esta foi também a primeira vez que Miklósné Fehér, mãe do jogador, falou publicamente em 16 anos.


"A mãe do Fehér nunca se escondeu nestes 16 anos, mas nunca falou. Ela estava sempre presente, levava quase sempre, das três ocasiões em que eu estive anteriormente, um retrato do filho na mão. É uma coisa que nós não conseguimos imaginar o que é. Nem eu, nem tu. Nós os dois somos pais e não conseguimos imaginar o que é que será a dor que esta mãe e que aquele pai tiveram", começou por contar.

"É ainda uma morte diferente de muitas outras mortes. Nenhuma obviamente tem uma dor menor, mas veres o teu filho morrer na televisão, veres o teu filho morrer à frente dos teus olhos é algo que marca para uma vida inteira e que não tem recuperação. Podes tentar e eles tentaram estes anos todos. A Miklósné sempre esteve presente, sempre esteve com o marido, mas quem falava sempre era o pai. Ela nunca falava porque não conseguia, porque se emocionava e eu tinha a curiosidade de saber como é que eles estavam. Eu conheci-os naquela altura, gostava de voltar a vê-los e voltar a falar com eles e perceber se eles tinham conseguido recuperar de alguma maneira", prosseguiu.

"Fiquei muito satisfeito de ver que, dentro do possível, eles tocaram a vida deles para a frente, apresentaram-se os dois na minha frente de camisola negra [...] Apareceram sorridentes, cumprimentaram-me, lembrámos as histórias que tínhamos passado naquela altura... Parecia que aparentemente tinham ultrapassado a coisa. Com o desenrolar da conversa, nem eu próprio consegui segurar a emoção porque eu vivi aquilo tudo também,", relatou, revelando que ainda hoje o casal é brindado com várias homenagens dirigidas ao filho.

"Quando chega aquela parte, aquele período de tempo, enquanto falam da vida do Fehér, eles falam sorridentes, alegres, revivem aqueles momentos, é um bom momento para eles. A entrevista foi muito disto no início e eu não esperava que a mãe falasse, ela que mais uma vez estava presente. E começou a falar, começou a entrar na conversa e foi ela que guiou a conversa até à parte em que falámos da morte, que era uma coisa difícil de introduzir numa conversa, sobretudo, com os pais, porque não sabemos qual é a reação do outro lado. E foi ela que guiou conversa para lá, obviamente emocionada, mas tentou e conseguiu falar. Não falou muito porque se emocionava, mas fez um esforço gigante. Pela primeira vez tentou dar aquele passo em público", explicou.

"No final, eu agradeci-lhe muito, abracei-me a ela, dei-lhe dois beijinhos à portuguesa. Com o pai exatamente igual. O senhor Milkos é uma figura. Convidou-nos para jantarmos em casa dele. Nós não pudemos, mas ficou combinado. Havemos de lá ir almoçar", completou.

Veja aqui a entrevista com os pais de Miklos Fehér e ouça aqui o podcast Vamos a Jogo.