Nome incontornável da televisão portuguesa, Carlos Cruz foi dos nomes do mediático processo jurídico Casa Pia. O antigo apresentador foi julgado e condenado a seis anos de prisão por crimes de abuso sexual de menores, acabando por sair em liberdade condicional em julho de 2016.

Esta quinta-feira, 6 de maio, Carlos Cruz foi um dos convidados do programa das tardes da SIC e, assumindo-se sempre como inocente, recordou os anos passados na prisão.

"Não sou uma pessoa traumatizada ao contrário do que as pessoas pensam. Estou de consciência muito tranquila. Eu sei que estou inocente, as pessoas que me acusaram sabem que eu estou inocente, as pessoas que me julgaram sabem que eu estou inocente", começou por referir, assumindo que nunca se sentiu verdadeiramente preso.

"Há uma coisa que as pessoas têm dificuldade em perceber. Eu nunca me senti preso. O que estava preso era o meu corpo. Mas o meu espírito, o meu pensamento, as minhas emoções estavam todas cá fora. Eu viajava a ler um livro, viajava a escrever, escrevi a minha autobiografia lá, à mão, mil e tal páginas. Eu nunca me senti verdadeiramente preso, eu sinto-me mais preso agora no confinamento do que quando propriamente estive preso. Só prenderam o meu corpo e ninguém conseguiu prender o meu espírito", destacou.

Quase 18 volvidos anos da sentença que ditou a sua prisão, Carlos Cruz quer um novo julgamento e aponta o dedo à comunicação social. "Este caso não teria o desfecho que teve se não houvesse a pressão do julgamento da praça pública. Ninguém teve coragem de enfrentar esse julgamento e defender a verdade e não se sujeitar a essa pressão", afirmou.

"Não esperava tanta desonestidade de alguns jornalistas. Este processo foi muito construído pelo jornalismo. Se vires a comunicação social desse tempo, não há um único órgão de comunicação que me tenha ouvido...Acho que devia ser ouvido pelo contraditório", acrescentou, reforçando no final da conversa com Júlia Pinheiro a sua inocência.

"Nunca fiz nada a ninguém, muito menos esse tipo de crime[..] Nunca tive relação nenhuma com menor nenhum de qualquer sexo. Ser ressarcido pelo Estado é uma coisa que não está em cima da mesa neste momento", completou.