Em agosto de 2020 e em janeiro deste ano, Inês Mocho viveu dois dos momentos mais delicados da sua vida. A maquilhadora foi diagnosticada com duas gravidezes ectópicas - gestações que ocorrem fora do útero - tendo que se submeter a dois abortos.

Esta quarta-feira, 8 de abril, Inês Mocho esteve no programa Júlia, da SIC, onde relatou a sua experiência. Em conversa com Júlia Pinheiro, a maquilhadora começou por recordar o momento em que foi diagnosticada com endometriose, em 2016, uma doença que lhe poderia trazer dificuldades em engravidar. Porém, apesar do diagnóstico, Inês conseguiu engravidar e em março de 2018 deu as boas-vindas à primeira filha, Leonor.

Entretanto, passado dois anos, Inês achou que estava na altura de dar um irmão à filha, mas as coisas acabaram por correr ao contrário do planeado. Inês foi diagnosticada com a sua primeira gravidez ectópica, vendo-se obrigada a interromper a gestação.

"Aqui eu descobri o desafio de quem tem endometriose [...] Foi tudo muito confuso porque, primeiro eu sei que estou grávida, fico super feliz, e depois não se vê o bebé nas ecografias. Andámos assim num vai e volta", recordou.

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"Eu na altura sentia-me grávida, mas estava com o período. E já estava com o período há uns sete, oito dias, o que para mim não era normal. Era um ciclo bastante grande, mas como eu me sentia grávida, comprei um teste de gravidez. E, de manhã, fiz o teste de gravidez e deu positivo. Quando deu positivo, eu tive a certeza que alguma coisa não estava certa. Não sei explicar. Tive a certeza que aquilo não era normal, que não era suposto", explicou.

Ao contrário da primeira gravidez, esta foi uma gestação planeada. "Foi algo bastante difícil de digerir. Eu na altura estava a lançar a minha loja online e estava com muita coisa a acontecer. A maioria da minha equipa nem sabia o que se estava a passar. Tive mesmo que vestir o chapéu de empresária e não pude viver esse momento", contou.

Entretanto, cinco meses depois, Inês voltou a engravidar, desta vez de gémeos. "Eu lembro-me que estava a sentir-me grávida e pensei: 'Mas é impossível. Como é que é possível? Eu estive a fazer tratamentos, tomei a pilula. A festarola não foi assim muita, só pensava como é que tinha sido possível [...] Lembro-me de olhar para o teste e desta vez, ao contrário da outra, pensei: 'Eu consegui, finalmente'. Perdi aquele bebé, mas consegui e vou ter agora outro bebé", recordou. Porém o diagnóstico foi o mesmo da sua segunda gravidez e a maquilhadora teve que se submeter novamente a um aborto.

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"É complicado saber gerir isto em tão pouco tempo", assumiu, garantindo que não vai baixar os braços e vai tentar realizar o sonho de ser novamente mãe.

"Eu vou continuar a tentar ter um bebé porque eu ainda tenho uma trompa, ainda tenho dois ovários, tenho o meu homem. Temos os dois muito amor para dar e desejamos muito ter um segundo filhote. Acho que é algo que nós devemos falar abertamente. É um problema, sim. Deve ser falado como tal, mas sem tabus. Acho que não deveria ser problemático dizer, esconder ou ter vergonha. Devemos dizê-lo até para ter mais apoio porque é um momento de luto, muito doloroso, é a perda de um filho. Perdi três bebés e sei bem o que é. São três estrelinhas no céu. Eu queria muito que estivessem comigo, mas não estão. Então é tentar lidar da maneira mais positiva, descomplicar e lembrarmo-nos que nós somos mulheres, nós geramos vidas dentro de nós[...] É pensar que tudo se resolve", completou.