João Moleira

João Moleira

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João Moleira foi o convidado deste sábado, 20 de março, do programa Alta Definição, da SIC. Aos 43 anos, o pivô começou por lembrar os primeiros passos na televisão nomeadamente no arranque da SIC Notícias e contou algumas peripécias, como ataques de riso em direto. “Não ajuda trabalhar em dupla. As duplas com quem trabalhei houve sempre muita empatia e é muito mais difícil manter a concentração. Quanto mais sabes que não te podes rir porque aquele assunto é muito sério, mais vontade tens de rir”, explicou.

Ao longo da conversa, o jornalista comoveu-se ao falar de um dos momentos mais complicados da sua vida: a morte do pai. “Foi o dia da morte do meu pai. Eu estava no ar quando soube. Era o dia de aniversário da SIC Notícias, dia 8 de janeiro de 2016. O meu pai já estava muito mal no hospital e a minha vida nos seis meses anteriores à morte do meu pai era sair [da SIC] às 10h00 da manhã, ir buscar a minha mãe, íamos para o hospital e estávamos lá até às 20h00, o tempo todo que podíamos estar com ele. Dava-lhe o almoço, dava-lhe o jantar, fazíamos companhia, falávamos com ele… o tempo todo. Foi a minha vida durante seis meses. Na véspera, no dia 7, nós estivemos lá e deixaram-nos estar até um bocadinho mais tarde, saímos de lá eram 21h00, e o meu pai faleceu, salvo erro, às 22h40, mas nós não soubemos. Não avisam, só avisam no dia seguinte. E eu estava a apresentar a edição da manhã e recebo uma mensagem da minha irmã a dizer: ‘Ligaram-me do hospital’. E eu num dos intervalos liguei-lhe, ela disse que não conseguiu atender, não sabia o que era. E eu bateu-me logo: ‘Oito da manhã ligarem do hospital é porque já aconteceu’. E eu tinha um grande amigo meu que era responsável pelos Cuidados Intermédios do Hospital de Vila Franca, mandei uma mensagem e ele telefonou-me. Eu atendi o telefone a meio de uma peça que eu sabia que tinha três minutos e ele diz: ‘João, lamento. O teu pai faleceu’. E depois foi aguentar mais 1h30 no ar, que não sei até hoje como é que consegui”, começou por dizer, visivelmente emocionado.

“Foi o dia mais difícil porque tive que aguentar a emissão até ao final, não disse a ninguém o que tinha acontecido. (…) O que é que eu ia fazer? Ia pedir para sair a meio do jornal? Não ia adiantar nada porque o meu pai já tinha partido. Daí para a frente foi o piloto automático. (…) Quando me vinham as lágrimas aos olhos – porque não tive oportunidade de chorar no momento em que recebi a notícia – era pensar em coisas boas, positivas, mas naquelas alturas é muito difícil. (…) Durante esse período só tive oportunidade de voltar a falar com a minha irmã, a quem disse o que aconteceu, e combinámos uma coisa: ela ia para o hospital e eu, assim que saísse dali, ia para casa contar à minha mãe”, recordou ainda, antes de explicar que o pai era diabético e que os rins acabaram por entrar em falência, levando à morte.

Sobre a relação que os dois tinham, João Moleira diz que era muito próxima, mas assume que nem sempre o amor e a cumplicidade se traduziam em palavras: “Nós sempre fomos todos muito próximos, mas eu nunca fui de exteriorizar sentimentos através de palavras. Sempre exteriorizei nos cuidados que tenho para com a minha mãe, a minha irmã, os meus sobrinhos e o meus amigos. Sempre tive mais dificuldade em verbalizá-lo e sim, ficaram coisas por dizer. Eu nunca disse ao meu pai ‘amo-te’. Ele sentia-o, eu demonstrava-o, mas nunca o disse”.

Nesta conversa intimista com Daniel Oliveira, o jornalista da SIC falou ainda sobre a vontade de ser pai e confessou: “Já pensei mais nisso. Não é um ponto fora da lista, mas [quando era mais novo] confesso que pensei mais nisso, quando os meus amigos começaram a ter filhos, quando os meus sobrinhos ainda eram pequenos… Hoje em dia não”. Embora não descarte essa hipótese, garante que a relação cúmplice com os sobrinhos e os vários afilhados acaba por preencher esse vazio.