Fernando Daniel

Fernando Daniel

Instagram

A pandemia Covid-19 veio afetar a vida de todas as pessoas, em todas as áreas, mas todos sabemos que o setor da cultura é um dos mais afetados, uma vez que, cada vez mais, se recomenda que não existam ajuntamentos e que as pessoas permaneçam em casa sempre que possível.

Nas redes sociais, Fernando Daniel deixou um desabafo com duras críticas a colegas de profissão que continuam a mostrar-se muito socialmente ativos. “Até hoje não me tinha pronunciado sobre ‘isto’ porque achava que o choque que estamos a levar, ia efetivamente chamar todos à realidade. Erro meu por achar que isto nos tinha trazido mais respeito pelo próximo. Caros colegas, tenho visto várias imagens, principalmente stories, a viverem como se nada fosse, repito, a viverem como se nada fosse, não estou a dizer que devem ‘deixar de viver’”, começou por refletir o intérprete de Melodia da Saudade.

A imagem que acompanha o desabafo de Fernando Daniel

A imagem que acompanha o desabafo de Fernando Daniel

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“Não sei como está o vosso e-mail, o e-mail dos vossos agentes e editoras, mas o meu, e acredito que o de muitos mais, está repleto de ADIADO, CANCELADO e SEM RESPOSTA. ‘Mas o que quer ele dizer com isto?’ Perguntam bem. Eu respondo. Estou a pedir que ganhem um pouco mais de consciência, ou talvez apelar à vossa memória, para que não se esqueçam que milhares de pessoas seguem aquilo que fazemos, influenciamos pessoas. Stories dia sim dia não a ir jantar fora, em ‘reuniões de amigos’, ajuntamentos ‘ao acaso’, são tristes de ver num momento como este. Já é mau, na minha opinião fazê-lo, agora fazer e postar, numa altura destas, já mexe um bocado com as minhas entranhas”, acrescentou, visivelmente revoltado com certas atitudes de outros artistas.

“Infelizmente o trabalho tem vindo a ser pouco, mas é a única razão, juntamente com o básico, que me leva a sair de casa, acreditem que não é o fim do mundo, ok? Nós, os nossos músicos, os nossos técnicos, os nossos agentes, estamos todos a passar por uma fase complicadíssima, principalmente músicos e técnicos, pois nós artistas (alguns) vamos tendo outras fontes de rendimentos para além de concertos. Isto precisa de acabar o mais rápido possível para que possamos voltar à normalidade, ou que seja, pelo menos, mais seguro voltar. Para que os promotores consigam ter o mínimo de estabilidade para trabalhar por eles e por nós”, pede ainda.

“Sei que para alguns de vocês, o que estou a dizer é igual ao litro, pois primeiro vem o Instagram e a vida social e só depois o que realmente importa no nosso caso, a música. Não consigo ficar indiferente ao que tenho visto ultimamente. Só vos estou a pedir que tenham menos vida social por agora, que passem melhores exemplos a quem vos segue. Sem palcos, as nossas melhores ações são agora o melhor espetáculo que podemos dar. Façam-no”, remata.