Michael Loccisano

Após a morte de Sean Connery, no dia 31 de outubro, o ator foi homenageado pela sua vida e carreira pelas mais diversas figuras em todo o mundo. No entanto, também ressurgiram entrevistas em que o escocês justificava o uso de violência doméstica contra as mulheres, por duas vezes, o que anos mais tarde desmentiu.

"Não acho que haja nada de particularmente errado em bater numa mulher, embora não recomende fazer da mesma forma que se bate num homem. Uma estalada com a mão aberta é justificado, se todas as alternativas falharem e houver muitos avisos". Estas foram as palavras de Sean durante uma entrevista para a Playboy em 1965.

Sean negou as acusações da primeira esposa, Diane Cilento, que morreu em 2011, de que ele a tinha espancado durante o seu casamento de 11 anos. Um grande amigo da atriz australiana, Michael Thornton, que testemunhou a relação entre ambos, revelou ao Daily Mail que a violência doméstica ia além palavras.

"Eu tinha todos os motivos para acreditar que Cilento, que eu conhecia bem, dizia a verdade, até porque eu tinha testemunhado as marcas de violência doméstica no seu rosto. Em 1965, quando ela era casada com Connery, visitei o casal na sua casa em St John’s Wood, Londres. Eles estavam casados ​​há três anos e o seu filho, Jason, tinha dois anos", disse.

"A primeira coisa que reparei na minha chegada foi que Diane estava com um olho roxo e uma bochecha muito magoada e inchada, que ela tentou disfarçar com maquilhagem. 'O que aconteceu?', perguntei-lhe. 'Oh, foi tão estúpido', respondeu. 'Eu abri a porta do armário na minha cara'. Ela sabia que eu não acreditava nela e começou a falar, mas parou abruptamente. Connery tinha entrado na sala. Vestido com os calções mais curto que se possa imaginar, ele tinha o pequeno Jason empoleirado no seu ombro", recordou o escritor, que na altura ainda não conhecia Sean pessoalmente.

Sean falou sobre o sucesso dos filmes em que tinha actuado com 'James Bond' e como o assédio aumentou, afetando o seu casamento. "Diane parecia ter medo dele [de Sean]. Ela claramente já se tinha tornado numa vítima de violência doméstica", lamentou.

O escrito então questiona o que provocaria a reação violenta de Sean para com Diana e aponta que pode ter sido devido a ciúme profissional. "Em 1963, ela foi indicada ao Óscar de Melhor Atriz Secundária no filme ' As Aventuras de Tom Jones'", disse. "Ele não aprovou que ela continuasse a trabalhar como atriz e cortou todo o dinheiro para a manutenção da casa, deixando-a endividada e quase na miséria", acrescentou.

Quando Diane aceitou o divórcio, recebendo apenas metade do valor da venda da casa, o ator estranhou o facto dela desistir ser a "esposa do 007".

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