WPA Pool

"Temos que redescobrir o poder redentor do amor e, quando fizermos isso, faremos deste velho mundo um mundo novo". Foi com uma citação de Martin Luther King que o bispo Michael Curry começou a cerimónia real e recebeu muitos elogios pelo sermão apaixonado.

Em entrevista ao People, o bispo norte-americano, que foi o primeiro afro-americano a presidir à Igreja Episcopal, relembrou memórias do casamento do príncipe Harry e Meghan Markle que aconteceu em 2018.

Depois de pregar o sermão, apenas me lembro que era como se pudesse sentir escravos por todo o lugar”, disse o bispo de 67 anos, que escreveu recentemente um livro 'Love is the Way'. E acrescentou: “Não quero ser assustador, mas foi como se a voz deles tivesse sido ouvida naquele dia."

O bispo descreveu ainda como é ser um descendente de escravos e apresentar um sermão à frente da rainha Isabel II. “Era como se a voz deles, uma das suas canções, um dos seus descendentes estivesse lá naquele dia. A rainha foi muito gentil”, afirmou.

O fato de tudo ter acontecido, para mim, é um sinal de esperança. É um sinal de esperança que aquele que descende de pessoas que foram capturadas no comércio de escravos, provavelmente no comércio britânico de escravos, seja trazido das costas da África Ocidental para as costas da América. Que um dos seus descendentes estava na presença da rainha da Inglaterra e ele citou uma das suas canções. É a esperança de que não tenhamos que ser como sempre fomos."

O bispo Curry, que teve uma infância difícil, explicou que a principal lição do livro é viver "um amor que não é egoísta, que realmente procura o bem-estar dos outros e de si mesmo” e viu esse mesmo tipo de amor poderoso entre Harry e Meghan. “O que mais se destacou para mim foi que essas são duas pessoas que realmente se amam”, afirmou.

O bispo ficou surpreso com a quantidade de atenção que recebeu nos dias e meses que se antecederam ao casamento real. "Em dois anos, tive mais conversas desse tipo sobre fé, vida e amor do que em 40 anos", disse.